Editorial
Exportações em ritmo acelerado
As empresas de Sorocaba registraram aumento de 44% nas vendas para o exterior, em 2022, em relação ao ano anterior
As exportações brasileiras cresceram bastante em 2022. Dados preliminares apontam que de janeiro a dezembro o valor ultrapassou a casa de um trilhão e oitocentos bilhões de reais, ou cerca de US$ 335,01 bilhões. Confirmados esses números, o crescimento registrado chegará próximo de 20% na comparação com o ano anterior.
Só a agropecuária foi responsável por US$ 75 bilhões, com um incremento nas vendas de 36%. A indústria de transformação gerou US$ 181,87 bilhões, um crescimento de 26%. Esses dados constam do relatório oficial da Balança Comercial do Governo Brasileiro e foram atualizados no dia primeiro de janeiro.
O maior destino das exportações brasileiras foi a China, que comprou US$ 91,26 bilhões, depois vem a União Europeia com US$ 51 bilhões. As exportações para a União Europeia aumentaram quase 40%.
Sorocaba aproveitou esse bom momento da economia brasileira para também arrecadar mais com as exportações. As empresas da cidade registraram aumento de 44% nas vendas para o exterior, em 2022, em relação ao ano anterior.
Os produtos sorocabanos vendidos para o mercado externo somaram US$ 2,05 bilhões no ano passado, contra US$ 1,42 bilhão em 2021, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
Os principais produtos exportados pelas empresas da cidade foram veículos de passageiros, tratores, máquinas e aparelhos, material elétrico e seus componentes, fios e cabos, máquinas e aparelhos para impressão, entre outros.
Diferentemente do quadro nacional, os principais destinos das exportações sorocabanas foram os países das três Américas, com destaque para nossos parceiros do Mercosul.
Em entrevista ao jornal Cruzeiro do Sul, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (Sedettur) de Sorocaba, Paulo Henrique Marcelo, disse que os resultados positivos das exportações são decorrentes da confiança depositada pelas empresas em Sorocaba e região.
‘Muitos empresários passaram a migrar para a nossa região, aquecendo, ainda mais, os mercados local e regional, gerando novos empregos e renda‘, disse Marcelo.
Todos esses números positivos devem ser duplamente comemorados. Essa ampliação nas exportações aconteceu num ano extremamente difícil não só para o Brasil como para todo o planeta. A economia mundial ainda tenta se recuperar dos efeitos da pandemia da Covid 19 e a invasão russa a Ucrânia veio para piorar o quadro geral.
Esses dois fatores não se resolveram com o fim do ano de 2022. O coronavírus ainda é uma grande ameaça, principalmente à China, e o embate entre russos e ucranianos está longe de um final satisfatório.
Segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), o ano de 2023 será ainda muito difícil para a economia global. Os números indicam que China, União Europeia e Estado Unidos ainda vão enfrentar fortes desacelerações em seus desempenhos, com baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo a chefe do FMI, Kristalina Georgieva, um terço da economia global deve enfrentar recessão e isso afetaria centenas de milhões de pessoas. A situação promete ser mais grave na União Europeia. Atualmente, o FMI projeta que o crescimento global caia de 3,2% em 2022 para 2,7% este ano.
Esse baixo desempenho geral pode afetar principalmente a geração de empregos e a renda das famílias mais pobres. Com os países arrecadando menos em impostos e tendo que gastar mais em proteção social, a tendência é um desarranjo econômico ainda maior em várias nações. O país que não souber lidar com esse cenário vai padecer bem mais.
As exportações que partem das empresas de Sorocaba devem enfrentar um problema menor já que o destino delas parece ter sido menos afetado por esse dilema global. Se repetirmos o feito de 2022, com exportações acima dos US$ 2 bilhões, já teremos muito a celebrar.