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Editorial

Em busca de um novo significado para o Natal

Podemos e devemos celebrar o Natal. A festa é importante para fortalecer os laços familiares e de amizade, mas não esqueçamos, nunca, do real sentido da celebração

24 de Dezembro de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
(Crédito: MilosStankovic)

Hoje, no exato momento em que o dia 24 de dezembro partir e começar o dia 25, celebraremos, mais uma vez, o nascimento de Jesus Cristo. O Natal é uma das mais belas festas religiosas da tradição cristã e um ato de renovação da fé com a chegada do Filho do Senhor. Nessa hora, as diferenças de cada religião devem ser postas de lado para que, todos juntos, possamos homenagear aquele que veio ao mundo para nos unir, nos amar e nos perdoar.

O Natal representa o espírito doce da amizade que brilha todo o ano. É consideração e bondade, é a esperança renascida novamente, para paz, para entendimento e para benevolência dos homens.

Infelizmente, boa parte das tradições mais importantes dessa celebração se perdeu pelo caminho. Deixamos de lado os momentos de oração e nos concentramos mais na mesa farta da ceia e na troca animada dos presentes comprados com tanto carinho para agradar aqueles que amamos. Um brinde aqui, uma história animada ali, e algumas horas depois vamos para a cama acreditando ter renovado, por mais um ano, o espírito cristão que move essa festa. Mas não é bem assim. O Natal é muito mais que isso. É hora de reflexão, de pensar no próximo, principalmente nos ensinamentos que Jesus transmitiu em sua breve passagem pela Terra. Só revivendo esses ensinamentos estaremos mais próximos do Pai e da verdadeira fé cristão.

Quem é mais antigo sabe da importância da Missa do Galo nas celebrações natalinas. Era o momento solene da festa. Direto do Vaticano, todos os anos, o Papa transmite sua mensagem aos católicos. Naqueles pouco mais de 60 minutos, as famílias, unidas, paravam para ouvir, orar e desejar que a Paz de Cristo tomasse o coração de cada um. Nas igrejas e paróquias espalhadas pelo mundo, a mensagem papal era disseminada numa verdadeira corrente do bem. É essa energia positiva que precisa tomar conta do Mundo, e derrubar todas as maldades que ferem os mais puros ensinamentos cristãos.

A Missa do Galo, segundo a tradição começou lá do século V, e adota esse nome principalmente nos países de língua portuguesa e espanhola. Já na Itália, onde o Vaticano fica incrustado, é chamada de Missa da Meia-noite. Diferentes teorias tentam explicar porque alguns países adotaram o galo como símbolo dessa tradição.

Uma dessas teorias sugere que um galo cantou durante o nascimento de Jesus Cristo e isso acabou sendo entendido como a anunciação do filho de Deus. Outra teoria remonta a uma suposta tradição realizada na região de Toledo, na Espanha, na qual os camponeses matavam um galo exatamente na hora em que o sino da igreja anunciasse a meia-noite de Natal. Esse galo seria levado à igreja local e sua carne seria distribuída para os mais pobres. Uma terceira teoria aponta para a cidade de Belém, onde nasceu Jesus. Os peregrinos viajavam para lá, na noite de Natal, para celebrar a data e a caminhada sempre terminava num horário em que os galos já estavam cantando anunciando a alvorada. O real motivo do batismo da missa, pouco importa, o que é relevante é a mensagem que ela passa aos católicos no dia de se rememorar o nascimento de Cristo.

Faz décadas que o real significado do Natal vem perdendo espaço para as festas comerciais. Se gasta muito esforço em busca de agradar parentes e amigos, pelos olhos ou pelo estômago, e pouco tempo alimentando a fé, também vital para nossa existência. Resgatar esse equilíbrio é uma lição que temos que reaprender e ensinar para nossos descendentes.

O nascimento de Cristo é muito mais que um símbolo ou sinal divino; ele marca, exatamente, o evento da reencarnação do Verbo, da vinda de Deus à Terra para o encontro com a humanidade, ou seja, o mistério do nascimento de Cristo, que é a presença indescritível de Deus.

Podemos e devemos celebrar o Natal. A festa é importante para fortalecer os laços familiares e de amizade, mas não esqueçamos, nunca, do real sentido da celebração. Deus enviou seu filho para transmitir à Humanidade os mais divinos ensinamentos. Essa palavra não pode se perder. Reservemos parte do nosso tempo, nesta data festiva, para orar e dividir com Cristo esse momento de fé. Que o mais puro espírito natalino tome conta de nossos corações e seja tão forte que consiga invadir os outros meses do ano do 2023. Um Feliz Natal a todos!