Editorial
Celebrar o Natal com alegria, de olho no orçamento doméstico
Apesar da alta de preços dos alimentos, a expectativa é que este seja o Natal da comida, da bebida e das roupas
O Natal está chegando e o volume de vendas no comércio tem mostrado um bom desempenho. O movimento no Centro, nos bairros e nos shoppings atravessa o dia. Todos em busca do presente ideal para agraciar parentes e amigos. Quem prefere fazer as compras no conforto do lar tem sempre a opção das lojas virtuais na internet. O cuidado, nesses casos, é ter a garantia que tudo será entregue a tempo.
Em Sorocaba, de acordo com pesquisa feita pela Associação Comercial, 66,7% dos consumidores pretendem comprar três ou mais presentes, e o valor médio de cada presente deve ficar na casa dos R$ 198,80. O levantamento mostrou também que 50% dos que participaram da pesquisa pretendem fazer as compras em shoppings da cidade, já 40,9% afirmaram que irão às compras nas lojas do Centro.
A pesquisa mostrou ainda que o segmento de vestuário e acessórios deve registrar um aumento nas vendas de até 35%. Em seguida vem o de eletrônicos, games e celulares que pode ter um incremento de até 30%.
Esse otimismo do comércio registrado em Sorocaba deve se repetir, também, em boa parte do País. No geral, as vendas de Natal nos shoppings devem ter uma alta nominal de 4% neste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com estimativa divulgada pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
Ao todo, o setor deve movimentar R$ 5,5 bilhões entre os dias 19 e 25 de dezembro. Para este Natal, os produtos com mais procura, segundo a pesquisa nacional, são artigos de perfumaria e cosméticos, vestuário, calçados, eletrônicos, brinquedos, joalheria e itens esportivos. A Abrasce também espera que o tíquete médio das vendas nos shoppings neste ano fique na faixa de R$ 188, patamar praticamente igual ao de três anos atrás, o que sinaliza que o poder de compra da população não mudou muito nesse período.
O elevado comprometimento da renda de muitas famílias vai impedir que o consumo neste Natal seja ainda melhor. A queda nas vendas deve atingir principalmente produtos eletrônicos de maior valor. Isso pode afetar o desempenho da economia já em janeiro.
A receita com bens duráveis de dezembro é um indicador antecedente importante para a economia como um todo, porque alavanca a atividade no início do ano. Quando o resultado da comercialização desses itens em dezembro é favorável, a indústria começa janeiro com o pé direito e a reposição de estoques puxa uma longa cadeia de produção, emprego e renda. Quando isso não ocorre, o problema começa mais cedo.
Apesar da alta de preços dos alimentos, a expectativa é que este seja o Natal da comida, da bebida e das roupas, itens de menor valor e normalmente pagos à vista ou, no máximo, parcelado no cartão. Também a volta das confraternizações em família deve dar um impulso extra às vendas dos produtos mais básicos.
Mais de 70% do faturamento total do varejo neste final de ano, projetado em R$ 65 bilhões pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), deverão estar concentrados em comida, bebida e artigos de vestuário.
A perspectiva mais favorável à venda de alimentos neste Natal em relação aos duráveis animou os supermercados. Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostra que 66% das empresas projetam aumento de vendas de 11% nas quantidades de carnes natalinas, entre aves, suínos, frangos e bovinos. No caso das bebidas, que incluem cervejas, vinhos, espumantes, destilados e refrigerantes, a alta esperada é de 12,5% ante dezembro de 2021.
O Natal é um momento de festa. Para muitos é a hora de rever familiares e amigos distantes há muito tempo por causa da pandemia da Covid-19. Essa celebração merece tudo de bom e de melhor que o orçamento doméstico de cada um possa suportar. Só não é preciso exagerar nos gastos para que a alegria do Natal não se transforme num grande pesadelo ao longo de 2023. Gastar mais do que se pode pagar é um risco que deve ser evitado.