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Editorial

O FGTS e a privatização da Eletrobras

Os fundos de privatização podem ser uma alternativa para quem procura melhorar o rendimento do FGTS

04 de Junho de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
(Crédito: Divulgação)

O governo federal deu um passo importante para a privatização da Eletrobras. Desde ontem (3) quem tem dinheiro no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pode utilizar parte do saldo para comprar ações da empresa. O valor mínimo exigido pela operação é de R$ 200 para cada trabalhador.

No processo de desestatização da Eletrobras foi estabelecido um teto de R$ 6 bilhões para o uso global dos recursos do FGTS na compra de ações na oferta pública. Se as aplicações superarem esse teto, será feito um rateio, uma divisão proporcional entre os interessados.

Os Fundos Mútuos de Privatização foram criados pela primeira vez em 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso, e tinham como objetivo possibilitar o uso do dinheiro que estava no FGTS, e rendendo pouco, na aquisição da parcela acionária da União em algumas empresas listadas na bolsa de valores.

Na época, apenas trabalhadores com contas ativas no FGTS poderiam comprar ações do fundo. Nesse caso, essa possibilidade de investimento surgiu durante o processo de privatização da Petrobras (em 2000) e da Vale (em 2002).

Os fundos de privatização podem ser uma alternativa para quem procura melhorar o rendimento de seus recursos retidos no FGTS. Mas não há garantia que o negócio será bem sucedido, uma vez que as ações sobem e descem de acordo com o humor do mercado.

Em uma análise feita pela corretora XP, os investidores que deixaram os recursos investidos apenas no FGTS tiveram retorno de 136% no período entre 2002 e 2022. Já o investidor que apostou no FMP da Vale, teve retorno de 2.235%. E quem investiu na Petrobras teve retorno de 649% no mesmo período.

A operação, liberada agora, não representa a compra efetiva das ações, que ocorrerá somente quando for realizado o leilão da companhia elétrica. O procedimento, no entanto, é necessário para confirmar o interesse pelas ações da estatal. Com a privatização, o governo federal quer reduzir a participação na Eletrobras de 72% para, no máximo, 45%.

O preço de cada ação na oferta só será definido no dia 9 de junho, após o fim do prazo de reserva. A valor da ação da estatal na Bolsa de Valores de São Paulo, tem sido cotada da casa dos R$ 43.

O trabalhador poderá usar de R$ 20 mil a R$ 50 mil do FGTS na operação. Também existe um limite de 50% do saldo da conta do Fundo de Garantia. Dessa forma, quem tiver saldo de R$ 40 mil no FGTS só poderá destinar R$ 20 mil para a compra das ações da Eletrobras. No caso de o empregado ter mais de uma conta no FGTS, poderá usar até 50% do saldo de cada uma.

A Eletrobras destinou R$ 6 bilhões para a venda de ações a investidores que pretendem usar recursos do FGTS. O uso do Fundo de Garantia representa apenas uma das formas pelas quais pessoas físicas podem participar do leilão, previsto para ocorrer no segundo semestre. Caso a pessoa física queira comprar ações diretamente no dia do leilão, sem usar o FGTS, poderá desembolsar entre R$ 1 mil e R$ 1 milhão, cada uma.

É importante lembrar que o mercado de ações é sempre exposto aos riscos e às oscilações. O investidor tem que ter uma dose extra de sangue frio ao analisar o sobe e desce dos papéis. A compra de ações deve ser considerada um investimento de longo prazo.

No caso da Eletrobras, o investimento deve ficar em posse do comprador por pelo menos um ano. Só depois disso vai poder se desfazer dos papéis. Após a venda, o dinheiro retorna para a conta do FGTS e só poderá ser sacado nas regras atuais, como demissão sem justa causa, financiamentos de imóveis, doenças graves ou o saque-aniversário.

A história mostra que esse tipo de investimento tem sido bastante benéfico para o trabalhador que tem conta ativa no FGTS. Há duas décadas o governo não oferecia esse tipo de possibilidade. Aproveitar a privatização da Eletrobras é um caminho para assegurar um rendimento extra ao dinheiro poupado. Lembrando sempre que é um investimento de risco.