Buscar no Cruzeiro

Buscar

Editorial

Em busca da normalidade

Cada um deve ter seu ritmo na hora de voltar às atividades que praticava antes da descoberta do vírus

24 de Março de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
(Crédito: Fernando Frazão / Agência Brasil (28/10/2021))

Há uma semana o governo do Estado de São Paulo flexibilizou o uso das máscaras utilizadas no combate ao novo coronavírus mesmo em locais fechados. Segundo o governador João Doria, do PSDB, a decisão foi tomada depois de uma série de consultas ao Comitê Científico criado para acompanhar os desdobramentos da pandemia.

Os especialistas levaram em consideração o índice de vacinação com duas doses no Estado, que atingiu a meta definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS) de 90% da população elegível, ou seja, acima de 5 anos imunizada.

A melhora dos indicadores epidemiológicos, com queda na transmissão da Sars-Cov2 também contribuiu para essa tomada de decisão. Na segunda-feira (21) foi registrada a menor média móvel de sete dias de internação desde o início da pandemia.

Nas ruas, o que se vê, é um misto de pessoas que já aboliram a máscara e outras que, por precaução, preferem se manter protegidas do vírus. Para o médico sanitarista sorocabano Gonzalo Vecina Neto, professor de saúde pública da USP, criador e primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a flexibilização do uso da máscara foi uma medida um pouco precipitada. Ele alega ainda haver risco de uma nova onda de contaminações e de aumento de casos principalmente frente a subvariante BA.2, considerada a “nova Ômicron”, ainda pouco conhecida pelos cientistas.

Vecina Neto aconselha ainda que alguns grupos ainda permaneçam com as máscaras. É o caso de idosos, obesos mórbidos e pessoas com comorbidades.

O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, defendeu o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras no Estado. De acordo com ele, a decisão foi unânime dentro do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 em São Paulo. Mesmo assim ele reconhece que se houver aumento na transmissão e no número de casos e mortes o Estado pode retroceder na medida.

Algumas instituições paulistas preferiram manter a obrigatoriedade das máscaras apesar da decisão do governo do Estado. É o caso das três universidades públicas. A Unesp é a mais radical, até agora. O uso da máscara segue obrigatório mesmo nos ambientes externos. Já a USP e a Unicamp só exigem a máscara nos locais fechados.

O uso da proteção permanece obrigatório também no transporte público e nos locais destinados à prestação de serviços de saúde, nestes casos não houve flexibilização.

A pandemia provocada pela Covid-19 já dura mais de dois anos. O número oficial de mortes, em todo o mundo, passa de seis milhões. E voltar à rotina, agora que a doença começa a ser controlada, não é uma medida fácil. O sofrimento da perda ainda assombra muitas famílias. O medo de um novo surto, que possa causar ainda mais dor, é constante. Cada um deve adotar o seu ritmo na hora de voltar às atividades que praticava antes da descoberta do vírus chinês.

Mais importante ainda, nesses momentos de retomada, é ter empatia com o seu semelhante. Manter as regras de higiene, respeitar sempre quem está próximo a você e tomar todos os cuidados possíveis tanto para não se contaminar, como para não transmitir a doença. Na dúvida, fique em casa. Caso surja algum sintoma, use máscara até que você tenha certeza que não está com a doença e mantenha, sempre, sua vacinação em dia.