Editorial
Em busca da normalidade
Cada um deve ter seu ritmo na hora de voltar às atividades que praticava antes da descoberta do vírus
Há uma semana o governo do Estado de São Paulo flexibilizou o uso das máscaras utilizadas no combate ao novo coronavírus mesmo em locais fechados. Segundo o governador João Doria, do PSDB, a decisão foi tomada depois de uma série de consultas ao Comitê Científico criado para acompanhar os desdobramentos da pandemia.
Os especialistas levaram em consideração o índice de vacinação com duas doses no Estado, que atingiu a meta definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS) de 90% da população elegível, ou seja, acima de 5 anos imunizada.
A melhora dos indicadores epidemiológicos, com queda na transmissão da Sars-Cov2 também contribuiu para essa tomada de decisão. Na segunda-feira (21) foi registrada a menor média móvel de sete dias de internação desde o início da pandemia.
Nas ruas, o que se vê, é um misto de pessoas que já aboliram a máscara e outras que, por precaução, preferem se manter protegidas do vírus. Para o médico sanitarista sorocabano Gonzalo Vecina Neto, professor de saúde pública da USP, criador e primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a flexibilização do uso da máscara foi uma medida um pouco precipitada. Ele alega ainda haver risco de uma nova onda de contaminações e de aumento de casos principalmente frente a subvariante BA.2, considerada a “nova Ômicron”, ainda pouco conhecida pelos cientistas.
Vecina Neto aconselha ainda que alguns grupos ainda permaneçam com as máscaras. É o caso de idosos, obesos mórbidos e pessoas com comorbidades.
O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, defendeu o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras no Estado. De acordo com ele, a decisão foi unânime dentro do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 em São Paulo. Mesmo assim ele reconhece que se houver aumento na transmissão e no número de casos e mortes o Estado pode retroceder na medida.
Algumas instituições paulistas preferiram manter a obrigatoriedade das máscaras apesar da decisão do governo do Estado. É o caso das três universidades públicas. A Unesp é a mais radical, até agora. O uso da máscara segue obrigatório mesmo nos ambientes externos. Já a USP e a Unicamp só exigem a máscara nos locais fechados.
O uso da proteção permanece obrigatório também no transporte público e nos locais destinados à prestação de serviços de saúde, nestes casos não houve flexibilização.
A pandemia provocada pela Covid-19 já dura mais de dois anos. O número oficial de mortes, em todo o mundo, passa de seis milhões. E voltar à rotina, agora que a doença começa a ser controlada, não é uma medida fácil. O sofrimento da perda ainda assombra muitas famílias. O medo de um novo surto, que possa causar ainda mais dor, é constante. Cada um deve adotar o seu ritmo na hora de voltar às atividades que praticava antes da descoberta do vírus chinês.
Mais importante ainda, nesses momentos de retomada, é ter empatia com o seu semelhante. Manter as regras de higiene, respeitar sempre quem está próximo a você e tomar todos os cuidados possíveis tanto para não se contaminar, como para não transmitir a doença. Na dúvida, fique em casa. Caso surja algum sintoma, use máscara até que você tenha certeza que não está com a doença e mantenha, sempre, sua vacinação em dia.