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Editorial

Rodoviária: vem muita discussão por aí

Apesar dos argumentos do prefeito Manga na defesa do projeto de uma nova rodoviária, degradação do entorno seria praticamente inevitável

23 de Setembro de 2021 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Projetos de rodoviárias de maior sucesso em médias e grandes cidades são aqueles mais afastados do centro e dos bairros residenciais
Projetos de rodoviárias de maior sucesso em médias e grandes cidades são aqueles mais afastados do centro e dos bairros residenciais (Crédito: Fábio Rogério (11/12/2020))

Um assunto que começa a esquentar em Sorocaba é a localização da nova rodoviária da cidade. Na manhã desta quarta-feira (22), em entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3, o prefeito Rodrigo Manga reafirmou o interesse de construir a nova estação no Jardim Santa Rosália. Manga disse que o novo projeto está pronto e que o mesmo deverá ser apresentado aos moradores nos próximos dias.

Após indicar que o terreno da futura estação está localizado no bairro, a prefeitura já tem estudos em andamento que apontam para um local nas proximidades da rodovia Senador José Ermírio de Moraes, a Castelinho (SP-75), em uma das entradas da cidade.

O problema é que a reação de parte da população foi imediata. Os moradores de Santa Rosália e de pelo menos outros dois bairros nas imediações já lançaram um abaixo-assinado, em forma de petição on-line, contra a construção do novo terminal rodoviário em um terreno na avenida Dom Aguirre. A Associação de Moradores de Santa Rosália, por exemplo, é contrária à construção da obra no local. O principal argumento, com razão, é que se trata de um bairro eminentemente residencial, com comércios e escolas.

Na semana passada, a queda de braço se acentuou. Moradores do bairro colocaram faixas em frente às suas casas para protestar contra a instalação da nova rodoviária em Santa Rosália. Contrários ao projeto, eles entendem que ter uma rodoviária nas redondezas vai quebrar a paz, segurança e sossego característicos de um bairro residencial, interferindo na qualidade de vida dos moradores.

Na defesa do projeto, Manga afirma que “a rodoviária terá um sistema melhor do que o de muitos aeroportos do País”. O prefeito diz esperar que haja um entendimento com os moradores do bairro para a definição e concordância sobre a obra. Ao que parece, o prefeito está otimista demais quanto a isso.

Não é novidade para ninguém que rodoviária e qualidade de vida no entorno raramente combinam -- para não dizer nunca. Praticamente todas as experiências e tentativas de rodoviárias em cidades grandes e metrópoles mostram que a degradação do entorno é praticamente inevitável. É humanamente impossível controlar a presença de ambulantes. O alto fluxo de pessoas atrai muitas outras coisas.

Por mais que o projeto da nova rodoviária se encontre perto da saída para a Castelinho, por mais que o prefeito diga que o prédio será moderno, é altamente improvável que se evite uma piora do bairro. Todos sabem os transtornos no entorno de qualquer rodoviária, seja ambiental, seja de segurança ou a elevada degradação do local.

Em Sorocaba mesmo, a região da atual rodoviária enfrenta há anos esse problema, com aumento do número de usuários de drogas e da criminalidade. O local costuma concentrar pessoas em situação de rua. Não são raros os casos de tráfico à luz do dia, furtos, assaltos aos transeuntes, ameaças a moradores e comerciantes. A insegurança é crônica na região.

Até por isso, os projetos de rodoviárias de maior sucesso em médias e grandes cidades são aqueles mais afastados do centro e dos bairros residenciais.

Nesse sentido, diversos leitores das plataformas do Cruzeiro se manifestaram sobre o assunto. A maioria considera o local escolhido totalmente inadequado para uma construção do porte de uma rodoviária, dentro de um bairro residencial, rodeado de casas.

Segundo eles, existem áreas melhores e com custo menor fora dos bairros, às margens da Castelinho, da Raposo Tavares ou da Celso Charuri. Alguns sugeriram a antiga fábrica da Campari, lembrando da conexão com a linha férrea para um futuro VLT -- Veículo Leve de Transporte -- ou então o prometido trem intercidades. Outras sugestões indicam o terreno da antiga Gerdau, por exemplo.

Enfim, são algumas opções e nenhuma certeza. A única certeza é que a discussão sobre uma nova rodoviária em pleno bairro de Santa Rosália está apenas começando e promete pegar fogo.