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Editorial

EUA são espelho para ficarmos alertas

Brasil e EUA passam por momentos opostos na pandemia, sobretudo por conta da variante Delta

11 de Setembro de 2021 às 00:04
Cruzeiro do Sul [email protected]
Nos Estados Unidos, a situação é crítica e preocupa autoridades de saúde
Nos Estados Unidos, a situação é crítica e preocupa autoridades de saúde (Crédito: Pixabay )

Atualmente, Brasil e Estados Unidos atravessam momentos distintos da pandemia de Covid-19.

Dia após dia, o Brasil vem apresentando números e índices melhores. A média móvel de mortes (453), por exemplo, é a mais baixa desde 13 de novembro de 2020 (quando estava em 403). Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -34%, apontando tendência de queda. É o 18º dia seguido de recuo nesse comparativo.

Já nos Estados Unidos, a situação é muito mais crítica e preocupa as autoridades de saúde. A escalada de casos tem sido acelerada. De quinta-feira (9) para esta sexta-feira (10), o país registrou mais de 163 mil novos contágios, com alta de 49,7% em relação ao dia anterior, de acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

Já o número de mortes por Covid-19 nos EUA foi de 1.647, alta de 54,7% em relação ao dia anterior. Assim, o país tem agora mais de 652 mil mortos pela doença. Os óbitos nos EUA representam 14% do total mundial de vítimas da Covid-19 -- mais de 4,6 milhões.

Desde o início da pandemia, mais de 40 milhões de casos foram confirmados em solo americano e eles correspondem a 22% dos mais de 222 milhões de contágios confirmados em todo o mundo. Os dados são da Universidade Johns Hopkins.

E por que comparar os dois países? Simples, a situação dos Estados Unidos deve servir de alerta e reflexão para o Brasil.

Por lá, um dos principais responsáveis por esse momento ruim, com aumento expressivo do número de casos e mortes, é a variante Delta. No início de julho, o país tinha 40 casos por dia a cada 1 milhão de habitantes. Hoje, são 490 casos -- um aumento de mais de 10 vezes.

Para se ter uma ideia, o Brasil fez o caminho inverso: saiu de 360 novos casos por dia a cada 1 milhão de habitantes para 102 casos diários na mesma proporção.

Além das mortes, o avanço da variante Delta nos EUA também está atrapalhando a recuperação da economia. As contratações desaceleraram em agosto, já que parte dos americanos relata medo de ir às ruas para fazer compras ou comer fora de casa.

Mas fora a Delta, existem outros motivos para a diferença de cenário entre esses gigantes continentais. O Brasil tem 64% da população vacinada contra a Covid-19 com pelo menos uma dose.

Nos EUA, esse índice é de 61%. Embora os Estados Unidos mantenham estoques de vacinas para sua população, a taxa de vacinação no país ainda é baixa.

Outro ponto é que a vacinação entre brasileiros também está distribuída de forma mais homogênea, enquanto por lá existem bolsões de não vacinados. Além disso, a campanha de imunização no Brasil só deslanchou nos últimos meses -- o que significa uma imunidade ainda alta.

No entanto, 52% da população dos EUA está imunizada com duas doses, contra 30% de brasileiros completamente imunizados. Por isso, especialistas temem que seja questão de tempo que a variante Delta provoque estragos no Brasil. É justamente isso que precisamos evitar.

O último levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) identificou a variante Delta em pelo menos 181 cidades brasileiras, o que acende o alerta para a expansão da transmissão comunitária da cepa no País.

A Delta já representa 63% dos casos de Covid-19 no Brasil. De acordo com os pesquisadores, a linhagem originária da Índia já chegou a 24 Estados e ao Distrito Federal.

No Brasil, a Delta só não foi diagnosticada ainda no Acre e em Roraima, onde há casos em investigação. Quase a totalidade dos 37% restantes é de amostras da variante Gamma (P1), de Manaus. Há registros ainda das linhagens Mu e Lambda, variantes de interesse da Organização Mundial de Saúde (OMS), e não de preocupação, como as demais. No entanto, a presença delas é residual.

Portanto, apesar do momento favorável no Brasil, precisamos seguir atentos, tomando as vacinas e cumprindo os protocolos sanitários.

Se tem algo que é consenso entre os especialistas no aprendizado da pandemia é a volatilidade do panorama sanitário. Nenhuma situação é fixa, permanente. É preciso estar em constante alerta, acompanhando diuturnamente índices e parâmetros, para não vivenciarmos um retrocesso.