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Cedae, do Rio de Janeiro, é leiloada por R$ 22,6 bilhões

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes estiveram no leilão, na B3, em São Paulo

01 de Maio de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo
Licitação foi teste para o setor de saneamento básico.
Licitação foi teste para o setor de saneamento básico. (Crédito: JÚLIO NASCIMENTO / PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA (30/4/2021))

Símbolo da mudança de rumo no setor de saneamento básico, o megaleilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) conseguiu arrecadar ontem R$ 22,6 bilhões, que representa um ágio médio de 133%. Apesar de a concessão de Maceió (AL) ter sido o primeiro leilão sob as normas do novo marco regulatório, a licitação da Cedae -- maior projeto de infraestrutura do País -- era considerada um grande teste do modelo adotado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e um exemplo para atrair mais municípios para novos leilões.

O leilão foi realizado na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, e contou com a participação do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ambos discursaram após a licitação e comemoraram o resultado. Apesar de um bloco ter dado vazio (sem participante), o leilão foi considerado bem-sucedido. Os três lotes arrematados tiveram forte competição e exigirão investimentos de R$ 27 bilhões durante os 35 anos de contrato.

A Aegea, empresa que tem como sócios a Equipav, Gic (fundo soberano de Cingapura) e agora Itaúsa, ganhou dois lotes e o consórcio formado entre grupo Iguá (do fundo canadense CPPIB) e Sabesp (estatal paulista que faz sua estreia fora do Estado), um. Os blocos 1 e 4, vencidos pela Aegea, tiveram maior competição e foram para o viva-voz. No primeiro, a empresa ofereceu outorga de R$ 8,3 bilhões, com ágio de 103,13%, após quatro rodadas. O bloco 4, que teve nove rodadas no viva-voz, terminou com lance de R$ 7,2 bilhões e ágio de 187,75%. A Iguá/Sabesp venceu o bloco 2 com proposta de R$ 7,2 bilhões e ágio de 129%.

O último bloco, o 3, só tinha uma participante: a Aegea. E, pelas regras do leilão, como a empresa havia vencido outros dois blocos, ela tinha a opção de desistir do último. Foi o que ela fez e, assim, o lote deu vazio. O bloco está localizado em uma área mais delicada, dominada por milícias e, por isso, teria tido menos propostas.

Mas o diretor de Infraestrutura, Concessões e PPPs do BNDES, Fábio Abrahão, não viu o resultado como um problema e disse que o bloco será relicitado. “Essa será uma oportunidade para que outros municípios, que não estavam entendendo bem a modelagem, se juntem para a nova licitação. Se o governo quiser, podemos levar ainda este ano o ativo a leilão.”

Para o governador do Rio, Cláudio Castro, a concessão da Cedae é uma marco para um Estado que vem enfrentando tantos problemas. “Essa concessão é um recado para quem quer investir no Estado.” Segundo ele, o Rio e a Cedae não teriam condições de fazer os investimentos necessários para universalizar os serviços. (Estadão Conteúdo)