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Do leitor

Guarita

Esse conceituado jornal publicou, no dia da remoção da guarita, um texto da Associação Comercial, e, no dia seguinte, o Editorial sobre o mesmo tema, enfatizando, por motivos diversos, a inutilidade daquele ponto de ação da Guarda Civil Municipal, a GCM.

Como ambos os textos foram favoráveis à remoção da guarita, seria oportuno ouvirmos também o lado controverso dessa questão, não só por uma questão democrática, que esse jornal defende tão bem, como para que pudéssemos ter uma apreciação diversificada desse assunto.

Do afirmado nesses textos se destacam três pontos: Um deles que a área é tombada como patrimônio histórico, estendendo sua área de tombamento para a praça toda, e por isso nada poderia ser construído nesse perímetro.

Ora, sendo assim, e sob a proteção da lei, presume-se que bastaria um mandado judicial para que a obra não fosse executada, e mesmo após executada, demolida por força da lei. Nenhuma atitude foi tomada em um ano da obra concluída; permitiu-se gastar o dinheiro público numa obra que veio ao chão sem consulta ao cidadão que paga por isso.

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Ou a critério mais apurado, poderíamos, também, derrubar os prédios no entorno da mesma já que ficam na chamada área tombada, e esta tem prioridade. Em segundo lugar, vem a segurança de um dos bairros mais perigosos da cidade: o Centro.

Ao se construir um ponto fixo, com internet, telefone e uma viatura disponível, a GCM criava um ponto de referência a quem em perigo pudesse estar. Ao menor sinal de perigo saberia o cidadão para onde correr e buscar ajuda, diferente da polícia volante que ora está, ora não está, e sabendo que marginais usam essa instabilidade para atacar onde a polícia está ausente.

Por último vem a questão da Matriz representar uma imagem postal da cidade. Ora, aqui há a ideia errada do que é uma igreja. Quando a mesma deveria ser um ponto de introspecção, de busca espiritual, do sentimento da presença da divindade, de relaxamento e calma, de afastamento das lutas e atribulações do mundo barulhento lá fora através do incenso, da pouca luz das velas, da música suave, das orações, tornou-se a igreja um cartão-postal através de selfies, engrandecimento do ego e convite ao turismo; igreja é alheia a tudo isso de coisas mundanas, seu mister é o mundo do espírito.

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As igrejas deveriam ser os pontos mais escondidos na cidade, por representar o silêncio interior, o refúgio, a calmaria, o aconchego.

A guarita aumentaria esse sentimento de proteção, por ter ali pessoas a serviço da segurança; tirá-la levou consigo essa segurança. Presume-se que se uma viatura tiver que se postar o dia todo, e parte da noite ao lado da igreja, convenhamos que seria melhor mesmo a guarita.

ARLINDO VICENTINE

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