Do leitor

Em defesa da médica

"Não reconheço a colega da referida matéria, mas me senti julgada como ela"

Foi com indignação e perplexidade que me deparei com a matéria do Jornal Cruzeiro do Sul intitulada “Médica cochila durante a consulta”, no dia 26/1. Sou médica e não reconheço a colega da referida matéria, mas me senti julgada como ela. Acredito eu que no tolo e ingênuo imaginário popular o médico é um ser sem necessidades fisiológicas ou sem dor. Não temos o direito de ter sono, fome, tristeza ou problemas de saúde.

Quantas vezes fui atender doente, com dor ou com problemas pessoais como tantos outros profissionais, mas por respeito aos pacientes e por necessidade financeira me empenhei em fazer o meu melhor. O problema do ser humano de hoje é só pensar em si, só valorizar a sua necessidade e a sua dor.

Quantas vezes fui mal atendida em lojas, padarias, hotéis por funcionários mal humorados, sonolentos, despreparados, mas antes de tudo por seres humanos que poderiam estar num de seus piores dias.

Absolutamente ninguém sabe o que aconteceu com ela, porque ao invés de julgá-la “irresponsável e safada por dormir no horário do trabalho”, não pensam que ela poderia estar sobrecarrega, estafada, sem condições dignas de trabalho, fazendo das tripas coração para poder exercer uma profissão que está muito longe de ser luxo e glamour como tantos pensam.

THAÍS GAZONATTO BRENGA

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