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Verdade, que é a verdade?

Artigo escrito por Carlos Brickmann, jornalista
Crédito da foto: Fabrice Coffrini / AFP

 

Carlos Brickmann

Como jamais disse o presidente Bolsonaro, mentira é a verdade que ainda não aconteceu, talkey? Mas tem gente exagerando: por exemplo, a turma que sustenta que o ex-secretário da Cultura Roberto Alvim foi vítima de uma armação da esquerda, que lhe impingiu um texto nazista, que ele desconhecia, só para derrubá-lo. A imaginação voa longe: o Ministério da Cultura passou nas mãos da esquerda desde os tempos de Fernando Henrique (que nas teses imaginárias é mais esquerdista que Mao Tsé-tung) até a queda de Dilma. Deve ter sobrado gente por lá para engrupir o Roberto Alvim, né?

Mas vamos desenvolver o raciocínio: Alvim leu o texto que desconhecia, escolheu por acaso o tema melódico composto pelo músico favorito do alto comando nazista (bom músico, a propósito), fantasiou-se de Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler, e tocou o vídeo, ingenuamente, no ar.

Não é fazer pouco da inteligência de Alvim imaginar esses fatos todos?

Aí, para se vingar, esquerdistas divulgaram texto de Abraham Weintraub, o ministro da Educação, em que ele copiava trecho do próprio Adolf Hitler. Onde Hitler falava em “judeus”, Weintraub falava em “comunistas”. Só que a notícia era falsa. Weintraub fez mesmo o tal discurso (aliás, fraquíssimo). Mas os sites especializados em comprovar ou desmentir notícias fizeram as pesquisas e descobriram que Hitler não falou nem escreveu a bobajeira toda.
Weintraub tem defeitos à vontade. É desnecessário inventar mais um.

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Reforço inesperado

O Brasil descobriu a fórmula para ser bem ouvido no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça: deixou em casa o capitão do time. Quem de fato liderou a delegação brasileira foi o ministro da Economia, Paulo Guedes, bem ouvido pelas demais delegações. Guedes seguiu a linha de Bolsonaro, embora medindo as palavras (“a pobreza é grande causa dos danos ao meio ambiente”) e mostrando-se otimista: a seu ver, o Brasil pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, em 2,5%. Supera as previsões anteriores, de think-tanks brasileiros e estrangeiros, que oscilam em volta de 2%. Guedes disse que, resolvendo problemas que sangravam o Brasil, houve condições para baixar juros e atrair investimentos para grandes privatizações.

Pró e contra

Houve quem contestasse a tese de que a pobreza prejudica o meio ambiente, mas sem briga: tudo ficou no debate normal, sem polarização. E é mesmo preciso que o Brasil se coloque bem no cenário: normalizando-se as relações entre EUA e China, as exportações brasileiras podem pagar a conta. Guedes fez questão de mostrar que o Brasil está “fazendo a lição de casa”, o que inclui a continuidade das reformas, que teria amplo apoio do Congresso.

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Atenção nos americanos

Começou no Senado o processo de impeachment de Trump. Vai escapar.

Caixa preta, preta caixa

O BNDES contratou o Cleary Gottlieb Steen & Hamilton, LLP, pagando R$ 48 milhões. A auditoria investigou oito operações com JBS, Bertin e Eldorado Celulose (também ligada ao JBS) e concluiu, em relatório de oito páginas, que não houve nenhuma evidência direta de corrupção nesses casos.

A Cleary é altamente especializada, e nos casos que investigou não deve mesmo ter achado nada errado. Entretanto, um livro que já vendeu toda a edição, “Caixa Preta do BNDES”, do repórter Cláudio Tognolli, mostra coisa diferente: como o dinheiro do BNDES irrigou à nossa custa a economia de ditaduras de esquerda latino-americanas e africanas; mostra também como uma empresa originalmente privada, a Tecsis, tão logo começou a perder dinheiro foi passando o controle de sócios privados para o BNDESPar. Hoje a empresa está desativada, endividada, e quem é o acionista maior? Pois é.

Carlos Brickmann é jornalista. E-mail: carlos@brickmann.com.br

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