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Uma nova rodoviária

Artigo escrito por Marcelo Augusto Paiva Pereira, arquiteto e urbanista

Marcelo Augusto Paiva Pereira

A edição de 20 de fevereiro, à página 6 deste jornal, trouxe à lume o anúncio da Prefeitura Municipal de construir nova estação rodoviária para desafogar o centro da cidade.

O projeto será implantado no entroncamento das rodovias Celso Charuri, Raposo Tavares e José Ermírio de Moraes (Castelinho), em obediência ao disposto na lei municipal 11.319/2016, que instituiu o Plano Diretor de Mobilidade Urbana de Sorocaba.

A previsão do espaço disponível a esse projeto o retira do centro da cidade. Mais do que desafogá-lo, tem vistas à integração da cidade com outras, tanto distantes quanto próximas, pertencentes ou não à Região Metropolitana de Sorocaba.

Um projeto urbanístico deve pugnar pela integração dos ambientes e centros urbanos na medida dos espaços disponíveis e na razão das necessidades dos habitantes. Os trajetos origem-destino são fundamentais, sem os quais os fluxos de veículos, bens e pessoas não serão adequadamente examinados. O projeto de uma estação rodoviária se encontra neste contexto.

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É projeto de infraestrutura urbana, deve ser elaborado para integrar as áreas urbanas do entorno e facilitar a mobilidade nelas e em outras áreas mais distantes, ainda que nestas sob efeito estendido, prolongado pela influência do projeto. Os trajetos origem-destino mensuram as distâncias a serem percorridas para realizar a mobilidade urbana, a integração da região à qual se destina e a interação do ambiente natural e urbano em que será implantado.

Deverá mapear as áreas verdes e as urbanas subutilizadas para ser implantado sem prejuízo do meio ambiente natural e recuperar áreas subutilizadas, o que aprimorará a infraestrutura urbana e conservará a vegetação natural, nativa ou não.

O paisagismo deve ser pensado e desenhado com vistas à configuração dos espaços destinados ao meio ambiente natural, ao lazer, habitação e serviços e concorrer à mobilidade dos habitantes e ao “skyline” urbano.

Outras obras públicas deverão, integradas ao projeto da estação rodoviária, dar a mobilidade pretendida pela municipalidade. São bem vindos os complexos intermodais em áreas estratégicas, nestas desenvolver centralidades urbanas e realizar a integração entre elas para a população não depender somente do centro da cidade para se deslocar.

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Desenhadas pelo paisagismo e compostas dos espaços e obras construídas, resultam a integração e interação urbanas e o “skyline” da cidade e região, onde a vida se opera na oportunidade dos trajetos e conveniência das áreas urbanas, num constante dinamismo de circulação de pessoas, bens e serviços pelas cidades da região e por outras, que com aquelas se relacionem.

Em suma, o projeto da nova estação rodoviária deverá cumprir a finalidade de melhorar a mobilidade urbana à luz dos trajetos origem-destino dentro do paisagismo em que se insere, sem esquecer da integração das cidades do entorno e outras mais distantes e da interação do meio ambiente natural. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.

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