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Toda obesidade será castigada

Os que forem pegos saindo dos restaurantes vão passar pelo o teste do “balofômetro”, com verificação dos furos no cinto das calças. Já dá para imaginar contrabando de costeletas nas fronteiras e traficantes de hambúrgueres nas esquinas

A obsessão com o peso corporal virou drama na vida das pessoas. Todos querem um corpo malhado, barriga negativa, bíceps e panturrilha seca. E virilha cavada. O medo de engordar é tanto que cabe uma inversão de Mens Sana in Corpore Sano para: Corpore Sana et Mens Insanas. Ser magro é preciso, empanturrar-se não é preciso.

Obesidade é problema mundial. Se antes no mundo se morria por falta de alimentos hoje se morre por excesso de comidas. A continuar a neura com a obesidade é possível que tenhamos sociedades distópicas ou fora do normal, tão absurdas quanto pensar numa coxinha sem catupiry. Podemos imaginar que serão tomadas drásticas medidas (… usando fitas métricas e dietas de baixas calorias). Afinal, se por um lado os brasileiros estão gordos, pelo outro lado, também.

Sugerir que alguém está acima do peso pode dar problemas. Se a sua mulher perguntar: — Gosta da minha cinturinha, amor?

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Nunca responda:

— Qual das três, amor?

Sua mulher vai se chatear e a seguir achatar você.

E se o seu marido, que nunca encontra nada em casa, estiver à procura das partes baixas dele, sugira que ele procure debaixo da própria barriga.

Toda obesidade será castigada. Guerra declarada. Os americanos, inventores das fast-foods, que estão entre os povos que mais crescem no mundo, principalmente, para os lados irão criar um novo FBI (Fat Bureau of Investigation): ao invés de impressões digitais vão procurar marcas de gorduras e manchas de tempero nos suspeitos. Os que forem pegos saindo dos restaurantes vão passar pelo o teste do “balofômetro”, com verificação dos furos no cinto das calças. Já dá para imaginar contrabando de costeletas nas fronteiras e traficantes de hambúrgueres nas esquinas. Os agentes farão batidas em fast-foods aos gritos de: — “Solte essa barriga!!” ou “Larguem os garfos. Deitem-se no chão e façam 30 abdominais!”.

Quem pedir sobremesa cumprirá uma hora de esteira ouvindo sem cessar aquelas três únicas músicas que tocam em todas as academias. Há quem corra nas esteiras para fugir dessas músicas e, as que ficam, é porque senão perderam peso, perderam a audição e pouco se importam com o que dizem de sua forma física. Possivelmente quilos de massas serão destruídos e não só vão queimar os T-bones, como para horror dos obesos, vão deixar passar do ponto. Quem for pego com excesso de calorias será torturado com roupas quatro números menores que o seu manequim.

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É certo que grupos de resistência surgirão, explodirão bombas de chocolate manchando não só a reputação, mas principalmente a camisa dos agentes da lei. Imaginam-se sequestros relâmpagos de esfomeados desesperados, até restaurantes fazendo de reféns frangos assados e maioneses; ou atos insanos com faca, garfo e guardanapos ameaçando comerem sozinhos uma costela na brasa.

Obesidade ou morte! gritarão. Em tal cenário catastrófico, detectores de gorduras com agentes portando fitas métricas e tabelas de IMC — índice de massa corporal — vigiarão fronteiras e aeroportos. Agente:

— Você, ai, abra essa frasqueira! O que é isso?

O passageiro:

— Só uns dez quilos de cocaína, crack, maconha, haxixe e ópio.

— Hum… Tudo bem pode passar. Mas, afaste-se das fast-food se não quiser ter problemas com a lei ou acabar com o colesterol alto… O próximo!…. Ei! Deitado! Eu vi essa estria! Não se mexa eu tenho uma balança apontada para você.

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Até lá somente o peso de consciência dos que não conseguiram reduzir as medidas é que vai escapar.

O regime da Lua funciona sim: é só ir andando até lá.

José Feliciano – Redator-Roteirista de humor e mistério — Médico em cima do peso.

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