Professora relata sua experiência de ensino por meio de filmes
Rosemari: experiência estimulante do ensino de História. Crédito da foto: Divulgação
Nildo Benedetti - [email protected]
Formada em História pela USP, Rosemari Almeida é mestre em Ciências da Religião pela PUC de São Paulo. Há 15 anos leciona nas redes pública e particular e há dez na Educação Social e no Terceiro Setor. Atuou como coordenadora da Arca do Brasil, instituição beneficente voltada a pessoas com deficiência intelectual; dedica-se à elaboração e desenvolvimento de projetos culturais e educativos e ao inventário de referências históricas e culturais de bairros da capital paulista.
Leia a seguir o relato de Rosemari ao Cine Reflexão da Fundec:
Certa ocasião, como parte do ensino de História Contemporânea no projeto Ensino de Jovens e Adultos (EJA), tive de apresentar noções sobre o trabalho e os trabalhadores. Utilizei pequenos textos sobre o anarquismo, ludismo, socialismo, taylorismo, fordismo. E veio a ideia de projetar “Tempos modernos”, escrito, dirigido e interpretado por Charlie Chaplin em 1936.
Mesmo se um filme for chamado de “histórico”, sua exibição não é suficiente para ilustrar aulas, como se delas fosse apenas um complemento visual. Felizmente, há alguns anos o ensino de História vem utilizando outros instrumentais além do texto, como fotografias, iconografia, objetos, vídeos, estudos do meio, para apresentar conteúdos, suscitar reflexões, propor questionamentos e interpretações históricas.
O uso que “Tempos modernos” faz das imagens, sua dinâmica e seus exageros se mostraram perfeitos para suscitar o interesse pelos temas e as reflexões propostas como, por exemplo, os efeitos da Crise de 1929 e a Grande Depressão que a ela se seguiu, alienação do trabalhador do processo e do produto do seu trabalho, o desemprego, os desafios do capitalismo.
No meu caso, cumpria-me observar de que forma poderia utilizá-lo em aula. Sendo um filme longo, utilizaria o tempo de mais de uma aula. É importante definir se o filme será projetado na íntegra ou se serão apenas alguns trechos. Nesse caso, o professor deve selecionar e fazer uma edição das cenas. Minha escolha foi de projetá-lo na íntegra. Para isso, contei com um Ponto de Cultura de uma Escola de Samba do bairro, muito próxima à escola, da qual participavam vários alunos, e que possuía uma pequena sala de projeção, com cadeiras confortáveis e telão. Essa forma, de assistir ao filme teve um sabor especial mais de cinema que de aula, e os alunos puderam assisti-lo sem interrupções.
Antes da projeção, pedi que prestassem atenção tanto ao conteúdo quanto à forma como era apresentado, às imagens, às metáforas. Após o filme, abordamos o contexto histórico da época da sua produção. Os alunos receberam um roteiro para reflexão, com questões para auxiliar a elaborar um texto sobre o filme e sua relação com os temas trabalhados.
Revelo uma surpresa: nos divertimos muito! Poucos alunos haviam assistido ao filme. As gargalhadas, os comentários e os textos produzidos posteriormente mostraram que nossa aula foi uma experiência rica em conteúdo e reflexões, e também muito prazerosa, dando um gostoso sabor ao processo de aprendizado.