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Pedro Lopes fala ao Cine Reflexão sobre Cinema e Artes Plásticas

O artista participou de diversas exposições coletivas e individuais
Pedro Lopes fala ao Cine Reflexão sobre Cinema e Artes Plásticas
Pedro Lopes é artista plástico e cinéfilo. Crédito da foto: Divulgação

Pedro Lopes estudou e lecionou na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Sua obra cobriu diferentes fases: abstracionismo lírico, realismo fantástico e pop dos anos 1970. Desde os anos 1980 se dedica ao neoexpressionismo e geometria sensível decorrente de paisagem figurativa.

O artista participou de diversas exposições coletivas e individuais. Entre as coletivas estão Salões Paulistas de Arte Contemporânea e Salões Nacionais de Arte Contemporânea dos anos 80, além de diversos Salões de Arte Contemporânea, entre eles os de Campinas, Piracicaba, São Caetano, Jundiaí, Ribeirão Preto e Curitiba. Participou também da Bienal de Santos, de exposições no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba e do Salão de Arte Contemporânea da Fundação Mokiti Okada, com exposições em São Paulo, Rio de Janeiro, Tóquio e Osaka. Entre as exposições individuais estão a no Macs, em Sorocaba, no Museu de Arte Contemporânea de Goiânia, no Centro Cultural São Paulo, no Museu de Arte Contemporânea de Campinas e Museu de Arte Contemporânea de Americana, além de galerias e espaços culturais.

Nildo Benedetti – Como se efetua seu processo de criação de uma pintura?

Pedro Lopes – Eu sempre parto da forma, não da aparência, e nem da beleza formal, mas da forma significativa capaz de suscitar memórias, modos de vida, contextos, recorrências poéticas, lembranças históricas, afetivas ou nostálgicas, enfim, da forma geradora de conteúdos intraduzíveis que emanam da pintura. Às vezes pode surgir de uma sombra que indica uma presença, porém, que não é revelada. Essa forma pode surgir de um objeto, cena de paisagem, ou de um assunto, ou fato que induz à reflexão pictórica manifestada por linhas, formatos e cores. Nesse momento, eu começo a efetuar uma série de estudos, desenhos e esquema de cores que vão culminar com o projeto da pintura, que ao passar para a tela, durante o processo, ainda pode sofrer muitas alterações até encontrar o equilíbrio entre a ideia inicial e a expressão decorrente do ato de pintar e que, na maioria das vezes, sofre uma transformação considerável.

NB – Você é muito conhecido como artista plástico, mas é também cinéfilo. Como vê a relação entre Cinema e Artes Plásticas?

PL – Eu só consigo ver e entender Arte através do processo semelhante ao da composição da pintura e da busca da forma geradora de infinitos significados, seja forma plástica ou literária, poética, musical, teatral ou cinematográfica. Cinema é imagem em movimento que, somada à sonoridade e tudo que decorre disso, pode fazer surgir infinitas interpretações, emoções, reflexões. O primeiro filme que eu consegui entender como Arte foi “Voar é com os pássaros”, de Robert Altman. Gosto de muitos filmes, como por exemplo “O encouraçado Potemkin” e “Ivan, o terrível”, ambos de Eisenstein, “Roma”, de Fellini, “O evangelho segundo São Mateus”, de Pasolini, “Deuses malditos”, de Visconti, “O ferroviário”, de Pietro Germi, “Era uma vez no oeste”, de Sergio Leone , “Feios, sujos e malvados”, de Ettore Scola e “Dodeskaden”, de Kurosawa.

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