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Paternidade é persistência na mudança

12 de Agosto de 2018 às 17:07

Geraldo Bonadio

Todos temos momentos que gostaríamos de perenizar; situações ante as quais ansiaríamos que o tempo parasse; realidades que apreciaríamos manter como estão, resguardando-as do cinzel da idade que, instante a instante, remodela as feições amadas.

Esse embate com o real, na tentativa de obstar o mover da vida, conter o fluxo do tempo, fixar o que, por natureza, é mutável marca todos os planos do existir e facetas do viver e nos desconcerta, de um modo particular, quando tem por objeto as relações entre pais e filhos.

Ainda que magoe todas as partes, o devir se processará. Em algum momento, ao contemplar essas contendas através das lentes enternecedoras da saudade, haveremos de reconhecer sua necessidade. As mutações são linhas que o Senhor escreveu no seu plano para as nossas vidas. Ele, até por linhas tortas, sempre exprime aquilo que é certo e melhor para aqueles a quem o plano alcança.

A partir da faina do agricultor, o profeta ensina que ela contempla, necessariamente, ações diversificadas e sucessivas. Somente assim o revolver da terra origina colheitas. Mesmo esta e as etapas de processamento do grão e do fruto, que a sucedem, exigem diferentes modos de se conduzir, implícitos na natureza das coisas com que lidam.

Se assim é com o cultivo do solo, repetido a cada ciclo, como isentar de mudança a vida humana, infinitamente mais rica e matizada?

Acolha a transmutação na paternidade. Só na mudança da forma é que o persistir da essência se opera.

"Quando o agricultor ara a terra para o plantio, só faz isso o tempo todo? Só fica abrindo sulcos e gradeando o solo? Depois de nivelado o solo, ele não semeia o endro e não espalha as sementes do cominho? Não planta o trigo no lugar certo, a cevada no terreno próprio e o trigo duro nas bordas? O seu Deus o instrui e lhe ensina o caminho."

Isaías 28:24-26 Nova Versão Internacional

Geraldo Bonadio é jornalista. [email protected]