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O que fazer quando os valores estão adormecidos?

26 de Fevereiro de 2021

Karin Panes

Hoje, as pessoas vivem uma espécie de sonambulismo em relação aos seus valores, desconectando-se cada vez mais deles. Quando não conhecemos os nossos valores ou não os respeitamos, nos submetemos a situações a contragosto daquilo que de fato é importante para nós. Isso nos leva a autodestruição, ou seja, ficamos depressivos, ansiosos e doentes.

Os valores definem a forma como enxergamos o mundo e está diretamente relacionado a maneira com a qual nos relacionamos com as outras pessoas. Eles motivam as nossas ações. Temos à disposição diferentes veículos para vivermos os nossos valores, como na família (que pode estar relacionada com os valores respeito, amor, segurança, acolhimento), no trabalho (estabilidade, crescimento, segurança), na religião (fé, espiritualidade, amor), no casamento (parceria, respeito, amor), entre muitos outros. No entanto, hoje vivemos tão no automático que não conseguimos identificar quais são os nossos valores, ou seja, o que realmente nos importa. Por exemplo, o valor do seu marido pode ser variedade, ele gosta de mudar de emprego, de casa, de viajar. O seu é o estabilidade. A partir do momento que você conhece e entende o valor dele e ele o seu, é mais fácil estabelecer limites e conviver em harmonia. No entanto, sem essa consciência, o comum é que a relação entre em conflito de valores.

Se o seu valor principal é o respeito, por exemplo, mas vive numa relação em que a outra pessoa não tem esse valor e tampouco tem consciência do quanto você valoriza o respeito, certamente você vivenciará eventos nos quais se sentirá desrespeitado (a), só que não poderá se esquivar da responsabilidade, é você quem está se permitindo continuar nesse relacionamento em detrimento daquilo que valoriza. E com o tempo essa situação acaba minando suas energias.

Existem pessoas que têm uma tremenda dificuldade de relacionamento por não conhecerem seus valores e por isso, ainda não conseguiram se conectar com outras que tenham valores semelhantes, ou ao menos que possam falar abertamente sobre os valores de cada um.

O valor é a única coisa que separa as pessoas, que segrega. Pedir demissão de uma empresa, divórcio por não estar feliz ou não se relacionar bem com os pais. Todos esses eventos podem ser uma questão de conflito de valor. Quanto mais você se desconecta dos seus valores, mais você fica à mercê desses conflitos.

No trabalho, por exemplo, você se sente mal, fala que não gosta do chefe, ou do modo de gestão da empresa, apenas porque seu valor não bate com o da empresa. Se você prioriza a estabilidade e a empresa o crescimento, existe um conflito de valor que em algum momento poderá vir a tona, gerando um descontentamento.

Ou ainda, vamos supor que sua empresa visa o crescimento e o risco, mas você percebeu que valoriza a estabilidade e a segurança, que nunca quis mudar de casa, de carro, não gosta de mudanças radicais, ou seja, seus valores simplesmente não estão conectados com os dessa empresa.

O autoconhecimento é o caminho para entender quais são os seus principais valores. Quanto mais você age de acordo com os seus princípios, mais vive feliz e sua autoestima aumenta. Supondo que eu preze o respeito, o amor e a paz e busco por meio de veículos como família, trabalho e casamento viver esses valores, automaticamente minha autoestima vai se elevar.

Mas como descobrir o seu valor? É um exercício de olhar para dentro de si e pensar o que é importante para você. Quais são os sentimentos que o trabalho, a família, o relacionamento, dinheiro, as relações humanas despertam em você? Vale lembrar que valores são estados emocionais, sentimentos, por isso dizemos que família é um veículo e não um valor.

Outro alerta é que podemos confundir o valor do outro com o nosso. Isso significa que quando não conheço meus valores, posso achar que o valor do meu pai ou do marido ou da esposa é o mesmo que o meu e vivo em função disso. Mas isso não é bom. Descubra e viva os seus valores. A regra para viver o seu valor deve estar em você e não no outro. Eu vivo o respeito quando eu me respeito. Vivo o amor quando eu me amo. Não posso esperar ser amada quando a outra pessoa estiver disponível para me amar para então viver o meu valor.

Por fim, não podemos continuar mais vivendo nas sombras dos nossos valores. Vamos acordar desse sono profundo, dessa vida no automático, vamos resgatar o que de fato valorizamos, levando ao mundo mais harmonia e mais felicidade.

Karin Panes é treinadora comportamental, master coach especialista em Psicologia Positiva, neurocientista e CEO de empresa especializada em desenvolvimento humano.