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O êxito advém ou não da perseverança?

Artigo escrito por Cládis Sanches Lopes, advogado, pós-graduado, ex-auditor do Banco do Brasil, professor universitário e escritor

Cládis Sanches Lopes

O homem, ao longo de sua vida, depara-se com obstáculos dificílimos, na caminhada à obtenção de sua meta almejada.

Caminhos escabrosos, esmorecimentos, desconfiança em si, tudo faz com que ele se sinta desamparado na consecução de seus ideais; porém, quando amparado em sua perseverança, vê que tudo que se lhe depara nada mais é senão do que espinhos à posterior aquisição da rosa fulgurante, que é a sua meta.

Há, no homem, de acordo com o meio em que vive, uma falta de confiança em si que, quando, sem uma razão profunda ou sem uma persistência, minimamente, extensa, nada poderá conseguir a não ser uma derrota implacável que, posteriormente, o levará, quiçá, ao desespero.

Hodiernamente, só aquele que possui meios convincentes e que nasceu em berço privilegiado, onde, o problema monetário inexiste e, sem a existência deste, consequentemente, os problemas se lhe parecem menos dificultosos, é, na maioria dos casos, o que quase sem esforço conseguirá sobrepujar aos obstáculos e obter tudo que deseja; convém, contudo, notar que méritos quase não os há nessa vitória.

Volvamos, alguns minutos, ao passado e analisemos alguns vultos famosos que, quase em sua totalidade, triunfaram e venceram com base em suas perseveranças: Machado de Assis, homem dotado de uma escrita modelar, linguagem impecável, deixou-nos obras que se constituem em preciosidades e que proporcionam àqueles que a conhecem, conhecimentos profundos acerca da gramática; nada mais era do que um ser, filho de um rústico pintor de paredes e de uma modesta portuguesa que, em sendo gago, epilético e possuidor de escola primária rudimentar, tornou-se um autodidata e conseguiu realizar toda a sua obra dada a sua perseverança incomensurável.

Tobias Barreto, de cor, viveu em uma época de escravidão intensa. Foi várias vezes perseguido e, quando tentava adquirir material para suas leituras e estudo, encontrava barreiras quase intransponíveis; ao lado do grande Castro Alves, tornou-se um poeta renomado e admirado por todos, legando-nos, também, obras incomensuráveis, dada a sua rígida perseverança.

Gonçalves Dias, perdeu o amor materno aos cinco anos de idade e passou a viver recalcado pelas ordens de sua madrasta. Trabalhou, quando criança, em uma loja. Jovem, ainda, perdeu o pai e, juntamente, com outros poetas de sua época, viu seus sentimentos amorosos desfeitos, quando, na tentativa de se casar com a filha de um seu amigo, foi lhe obstado sob o argumento de que poeta de bom conceito não gozava. Conseguiu, com esforço próprio, vencer, pois, chegou a exercer a missão oficial na Europa e no Brasil, com brilhantismo e esmero.

Essas personagens do palco da vida, aqui, citadas, foram, dentre outras tantas, as que batalharam, venceram e triunfaram, tendo, sempre, como premissa maior a perseverança; exitosos, tornaram-se, assim, imortais e cultuados, até hoje.

É de se afirmar, assim, que o êxito se dá quanto mais perseverante for o homem, na caminhada rumo às suas idealizações, não se deixando dobrar ou esmorecer ante os obstáculos escabrosos e nefastos que o meio se lhes oferece ou impõe. De bom alvitre meditar-se sobre isso.

Pense e reflita sobre isso.

Cládis Sanches Lopes é advogado, pós-graduado, ex-auditor do Banco do Brasil, professor universitário e escritor.

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