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‘Inferno’ no Cine Reflexão da Fundec

O filme tem roteiro da dupla polonesa Kieslowski e Piesiewicz
‘Inferno’ no Cine Reflexão da Fundec
Céline, Anne e Sophie: irmãs que carregam o peso de um incidente fortuito da infância. Crédito da foto: Divulgação

Nildo Benedetti – nildo.maximo@hotmail.com

Krzysztof Kieslowski é o grande diretor polonês, autor de obras como a “Trilogia das três cores” (“A liberdade é azul’, “A igualdade é branca” e “A fraternidade é vermelha”), “A dupla vida de Véronique”, “Decálogo” e outras. Os roteiros de seus filmes foram escritos em colaboração com outro polonês, Krzysztof Piesiewicz. “Decálogo” já foi exibido integralmente no Cine Reflexão da Fundec em abril e maio de 2018.

Kieslowski e Piesiewicz escreveram também o roteiro de uma trilogia: “Inferno, purgatório, paraíso”, mas que não foi filmada porque Kieslowski faleceria em 1996, aos 55 anos. A partir dos roteiros de Kieslowski e Piesiewicz, o bósnio Danis Tanovic dirigiu “Inferno”, o polonês Stanislaw Mucha dirigiu “Purgatório” e o alemão Tom Tykwer, “Paraíso”.

O primeiro dos três filmes desta trilogia, “Inferno”, será exibido hoje na Fundec e o terceiro, “Paraíso”, na próxima sexta-feira, dia 13. Nos dias 20 e 27 serão apresentados dois filmes com roteiros da mesma dupla, mas dirigidos pelo próprio Kieslowski: “Não amarás” e “Não matarás”. Estes últimos são versões estendidas e levemente modificas dos capítulos de mesmo título do “Decálogo”.

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Na trama de “Inferno”, de 2005, Sophie, Anne e Céline são irmãs que se mantêm distantes entre si, cada qual com atividades diferentes e, principalmente, vivem suas relações amorosas de modo particular e diverso. Pessoas envolvidas em relações afetivas passam normalmente por situações de alegria, felicidade e também de decepção e angústia, mas, quando a trama se inicia, as relações afetivas das duas primeiras — Sophie e Anne — estão em séria crise.

Sophie mora em Paris com os dois filhos e o marido Pierre, fotógrafo profissional. Suspeita que está sendo traída por ele e vai em busca de provas, vigiando-o como se fora uma detetive. É apaixonada por ele, mas o repudia quando descobre o adultério. Pierre abandona Sophie e procura a amante, mas é igualmente repudiado por ela.

Anne é ainda estudante da Sorbonne e mantém uma relação com um professor casado, Frederic, que é pai de uma sua amiga; ela sofre quando o amante a rejeita.

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Como se vê Sophie e Anne vivem casos extraconjugais simétricos, a primeira como vítima de marido adúltero e a segunda por causa do amante que decide interromper o adultério. Ambas sofrem a dor da exclusão da vida da pessoa amada.

Céline é solteira. É submissa à mãe e a uma vizinha, que a trata como servente. Parece sempre tensa, vive solitária, medrosa de tudo, principalmente de homens, e é incapaz de uma reação mais enérgica contra os que a tratam com ironia. Faz longas viagens de trem para cuidar da mãe; dorme nessas viagens e ignora a paixão de um funcionário da ferrovia. Um rapaz, Sébastian, se aproxima dela e ela passa a se interessar por ele.

As três irmãs carregam as consequência de um incidente ocorrido quando ainda eram crianças. O incidente, que tantos danos provocou à família, foi fruto de um erro de interpretação de um fato envolvendo o pai das meninas.

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Serviço

Cine Reflexão
“Inferno”, de Danis Tanovic
Hoje, às 19h
Sala Fundec (rua Brigadeiro Tobias, 73)
Entrada gratuita

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