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Hipoglicemia, a queda de açúcar no sangue

Para conseguir um perfeito equilíbrio metabólico faz-se um ajuste entre a dieta, exercícios físicos e medicação

O quadro é assustador: fome súbita, fadiga, tremores, tontura, batedeira, suores. Pele fria, pálida e úmida, turvação da vista, dor de cabeça, dormência nos lábios e língua, irritabilidade, desorientação, mudança de comportamento, convulsões e até perda de consciência. Estes sintomas podem ser observados isoladamente ou em grupo, mas a conduta é sempre a mesma, ou seja, elevar rapidamente a taxa de açúcar no sangue. Portanto, hipoglicemia é a queda excessiva de açúcar no sangue, com aparecimento rápido dos sintomas mencionados, informando que o açúcar (glicose) está abaixo de 70mg/dl. O nível normal de açúcar no sangue é de 70 a 90mg/dl. Acima de 90 e até 126mg fala-se em intolerância à glicose ou resistência à insulina, e após 126mg – diabetes mellitus.

A hipoglicemia pode ser pós-alimentar (cirurgia gastrintestinal, intolerância à frutose ou galactose, etc) e de jejum (deficiências horrnonais, defeitos enzimáticos, doenças graves do fígado, drogas, álcool, tumores do pâncreas, hiperinsulinismo, etc). Todavia, a doença que mais apresenta hipoglicemia é o diabetes, principalmente nos pacientes que usam insulina. Assim, o principal objetivo do tratamento é normalizar a glicemia (nível de açúcar no sangue).

Para conseguir um perfeito equilíbrio metabólico faz-se um ajuste entre a dieta, exercícios físicos e medicação (insulina ou hipoglicemiantes orais). Caso não ocorra este equilíbrio, pode acontecer hipoglicemia ou hiperglicemia. As principais causas de hipoglicemia nos portadores de diabetes são: excesso de exercício físico, falta de uma refeição regular ou fora do horário, pouca quantidade de alimento, vômitos ou diarréia, administração de alta dose de insulina, maior ingestão de medicamentos orais e consumo de bebidas alcoólicas.

Nas crises de hipoglicemia o diagnóstico deve ser rápido, usando-se no domicílio as tiras reagentes. O ideal é fazer o teste com uma gota de sangue, pois o uso de urina é desaconselhável na crise de hipoglicemia. Na suspeita ou comprovada a baixa taxa de açúcar, o portador deve ingerir rapidamente algum alimento, como copo de leite, suco de frutas ou refrigerante. Se após 10 minutos os sintomas persistem, beber água com açúcar, comer chocolate, bala ou tablete de glicose. Com indicação médica pode-se usar um medicamento injetável, que libera glicose no sangue.

Os alimentos mencionados somente devem ser dados se o diabético estiver consciente e for capaz de engolir. No caso de perda da consciência colocar na boca, do lado interno da bochecha, açúcar e mel, friccionando a parte interna para facilitar a absorção. Se, após estas medidas, o diabético continuar inconsciente, levar imediatamente ao Pronto-Atendimento mais próximo, informando ao médico plantonista os antecedentes de diabetes, os sintomas da hipoglicemia e o que já foi feito. Após a crise o paciente deve ingerir algum alimento de absorção lenta, como sanduíche, bolacha, fruta ou outro alimento. Como a crise de hipoglicemia é grave, com possibilidade de risco de vida, o ideal é a prevenção, que pode ser feita com programas de atividade física (evitar excessos), ingestão de alimentos extras antes dos exercícios, seguir rigorosamente o esquema alimentar (horário, quantidade e qualidade dos alimentos), avisar o médico da existência de vômitos ou diarréia, utilizar a medicação prescrita nas doses e horários indicados pelo profissional, assim como evitar bebidas alcoólicas.

Em situações especiais, como festas, viagens, etc, intercalar a alimentação regular com lanches extras, dependendo da situação. O diabético deve usar sempre seu cartão de identificação, levando consigo doces ou tabletes de glicose. Ainda, saber reconhecer os sintomas de hipoglicemia, principalmente as noturnas, que podem se manifestar com pesadelos e gritos, além dos sintomas já enumerados. Também é sempre bom conhecer as variantes da hipoglicemia, que pode ocorrer sem sintomas e diagnóstico possível somente com dosagem da glicemia.

Finalmente, é extremamente importante o autocontrole domiciliar, sabendo contornar as situações de hipo ou hiperglicemia, diagnóstico das complicações e obediência total à orientação do médico.

Artigo extraído do livro Doenças – Conhecer para prevenir (Ottoni Editora), de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes, falecido aos 77 anos, no dia 6 de junho de 2013.

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