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Ficção científica no cinema

Bons filmes de gênero ajudam a pensar o nosso futuro
Ficção científica no cinema - Bons filmes do gênero ajudam a pensar o nosso futuro
“Viagem à Lua”, de Georges Méliès, de 1902, é considerado o primeiro filme de ficção científica. Crédito da foto: Divulgação

Nildo Benedetti – nildo.maximo@hotmail.com

As sessões de cinema do Cine Reflexão da Fundec retornarão no dia 8 de fevereiro. Até lá escreverei às sextas-feiras nesta coluna sobre o cinema de ficção científica. Para escrever sobre o gênero, exporei ao leitor algumas ideias gerais dos especialistas de como a Ciência e a Tecnologia influirão na vida dos seres humanos nas próximas duas ou três décadas.

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A ficção científica é um dos gêneros cinematográficos mais importantes da atualidade. É por meio desse gênero que a maioria das pessoas supostamente têm contato com os mais significativos desenvolvimentos científicos e tecnológicos, e a forma pela qual compreendem a inteligência artificial, a bioengenharia, a mudança climática. Nossa visão de futuro é, de modo geral, moldada — ou pelo menos inferida — por meio de filmes como “2001- Uma odisseia no espaço”, “Blade Runner”, “Matrix”, “A chegada”, “Ex-Machina” e muitos outros.

Muitos filmes do gênero descrevem um mundo futuro que pouco tem de verossímil e não passam de um desfile de movimentadas e violentas fantasias sobre seres humanos invencíveis que portam armas prodigiosas, sobre máquinas monstruosas parecidas com animais de enorme poder de destruição e por aí vai. Ainda assim, alguns desses filmes possibilitam debates úteis. “Matrix”, por exemplo, se presta para discussões filosóficas e científicas em torno do que seja realidade, porque o que seus personagens vivem como realidade é de fato uma realidade virtual artificial gerada pelo megacomputador Matrix, que mantém sob controle todas as mentes dos seres humanos do mundo.

Analisando “A chegada”, de Denis Villeneuve, afirmei que, nas ficções científicas, as distorções e as imprecisões conceituais das leis das ciências humanas e exatas são comuns. São filmes que solicitam do espectador que ele descarte seus próprios conhecimentos científicos e aceite as premissas do filme, mesmo nos casos em que saiba que elas estão erradas. Mas, se quisermos avaliar por meio de filmes o que a tecnologia reserva ao futuro da espécie humana, alguma plausibilidade será necessária. Essa necessidade está contida na forma pela qual Umberto Eco define ficção científica no seu livro “Sobre os espelhos e outros ensaios”. Ela seria a representação de como o presente mundo real poderá se tornar no futuro. Por mais que o mundo da ficção científica seja diferente do mundo real, ele é possível exatamente porque as transformações que foram sugeridas pelo autor nada mais fazem do que completar as supostas tendências do mundo real. Ou seja, a ficção científica assumiria a forma de uma antecipação formulada a partir das tendências do mundo real. A boa ficção científica não é importante porque fala de prodígios tecnológicos, mas porque faz conjeturas plausíveis sobre as ciências físicas e também sobre as Ciências Humanas, como a sociologia, a história, a psicologia. Este é o caso da série “Black mirror”, que expõe o que a tecnologia poderá realizar no futuro, para o bem e para o mal — principalmente este último.

Continua na próxima semana.

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