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Ficção científica no cinema (8)

“Arkangel”, episódio da série “Black mirror” no Cine Reflexão da Fundec
Ficção científica no cinema (8)
Mãe usa a tecnologia para proteger filha dos perigos do mundo. Crédito da foto: Divulgação

Nildo Benedetti – nildo.maximo@hotmail.com

Depois de publicar neste jornal sete artigos sobre ficção científica no cinema, exibirei na Fundec três sessões sobre o tema: hoje e nos dias 15 e 22. A sessão de hoje trará o episódio “Arkangel”, da série inglesa “Black mirror” disponível na Netflix. A série mostra as consequências sociais imprevisíveis, obscuras e paradoxais das novas tecnologias. “Arkangel”, foi dirigido por Jodie Foster em 2017.

Sara é uma menina de três anos de idade. Sua mãe a perde de vista em um parque e o pânico que sofre pelo incidente fá-la aderir a uma tecnologia experimental (por isso gratuita) chamada Arkangel, propagada como “a paz de espírito dos pais”. O programa consiste em inserir um chip na cabeça da criança para monitorá-la permanentemente e até mesmo bloquear sua visão, quando ela estiver frente a uma situação chocante, imoral, violenta etc. O programa, portanto, leva ao limite o controle parental que os adultos se veem forçados a utilizar atualmente para impedir o acesso das crianças a programas inconvenientes de TV, computadores, sites da internet.

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Sara agora tem nove anos de idade. Ela foi poupada de observar acontecimentos da vida cotidiana como a tristeza da mãe, a ameaça de um cão raivoso, a fatalidade da mortalidade. Por isso suas reações diante dessas ocorrências são um misto de indiferença e falta de entendimento. Esse é um dos grandes erros do programa Arkangel. Um psicólogo informa Marie que a tecnologia foi proibida na Europa e aconselha a mãe a deixar de usá-lo.

O filme salta seis anos à frente e Sara é uma adolescente. A adolescência, como sabemos, é momento de profundas modificações físicas e psicológicas. De um lado, o jovem quer prolongar o sentimento de pertinência aos pais, próprio da infância e de outro precisa de respiro, de liberdade, próprio do adulto. Os pais, que eram tão necessários na infância, agora frequentemente se tornam incômodos. E vivem o conflito de dosar, de um lado, o controle que devem continuar a exercer sobre o filho e, de outro, e o de deixá-lo seguir sua caminhada pelo mundo.

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A tentação dos pais é a de proteger o filho de um mundo que é realmente perigoso, não só fora, mas também dentro de casa, onde são submetidos e insídias de toda ordem pela tecnologia da comunicação. Mas, o riscos não podem ser zerados. A existência humana é feita de bons e maus encontros, de eventos aleatórios, imprevisíveis, que podem alterar radicalmente a vida do filho, para um lado ou para o outro, a partir do momento em que ele procura seu próprio rumo. Jovens que se perderam podem ter sido bem educados pelos pais, como atestam psicólogos. Diante de tantos perigos e incertezas, Marie resolve reativar o Arkangel.

Marie vive os problemas gerais dos pais contemporâneos. Não devemos ser apressados em rotulá-la como superprotetora e considerá-la um caso particular das relações pais e filhos. Como todos, ela se deslumbra diante da tecnologia e resolve aplicá-la para criar o filho feliz e, desse modo, também ser feliz.

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Serviço

Cine Reflexão
“Arkangel”, de Jodie Foster
Hoje às 19h
Sala Fundec (rua Brigadeiro Tobias, 73)
Entrada gratuita

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