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Ficção Científica no Cinema (4)

A revolução tecnológica e o emprego
“Tempos modernos”, de Charlie Chaplin: para Harari, a política no século 20 girou em torno da massa de trabalhadores e no século 21 será determinada pelos desempregados. Foto: Divulgação

Nildo Benedetti – nildo.maximo@hotmail.com

Encerrei o artigo da semana passada com uma tese do historiador Yuval Noah Harari: uma nova revolução tecnológica criará uma nova classe de bilhões de seres humanos economicamente inúteis, porque suas habilidades cognitivas serão superadas pela inteligência artificial.

A fusão da biotecnologia com a tecnologia da informação coloca o gênero humano diante das maiores mudanças da história. As profissões estão entre as mais atingidas por essas mudanças. Por exemplo, em 20 ou 30 anos a inteligência artificial dirigirá caminhões, ônibus, carros etc. de forma muito mais eficiente do que motoristas humanos que se cansam, se alcoolizam, têm de dormir, descumprem regras de trânsito. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes rodoviários são a principal causa de morte de pessoas com idade entre 15 e 29 anos. A maior parte dessas mortes será evitada com o emprego da inteligência artificial dirigindo veículos em rede, por meio de um algoritmo central que evitará os erros humanos – todos respeitando rigorosamente as leis do trânsito e conhecendo as posições e rumos dos demais veículos, porque todos os Waze estarão interligados.

No mundo das finanças, os algoritmos tomarão as decisões com extrema velocidade e competência, e a competição se fará entre algoritmos. Os seres humanos dificilmente entenderão essas decisões e apenas a inteligência artificial será capaz de entender o sistema financeiro como um todo.

Outro exemplo de Harari é o dos médicos. Um sistema como o Watson da IBM tem enormes vantagens se comparadas a um médico humano. Ele pode passar para o meu smartphone minha condição médica continuamente por meio de sensores biométricos instalados fora e dentro do meu corpo. O sistema saberá que algo está errado comigo antes de eu mesmo me dar conta. O Watson quase não tem limites sobre o número de informações que pode processar e, portanto, pode reunir os conhecimentos de milhares de médicos e se atualizar permanentemente. Será superior aos seres humanos em analisar os sintomas de um determinado estado emocional como expressões faciais e corporais, tons de voz, coração, corrente sanguínea e cérebro. Ainda há problemas técnicos e legais que impedem que o Watson substitua a maior parte dos médicos. Esses problemas podem levar três décadas para serem resolvidos, mas serão solucionados apenas uma vez e, segundo os especialistas, mais de 60% dos médicos serão substituídos.

Advogados, corretores de seguros e de imóveis e muitas outras profissões também serão substituídas pela inteligência artificial.

Ninguém sabe como será o mercado de trabalho em 2050 e quais habilidades profissionais serão necessárias para a empregabilidade. Face à rápida evolução das mudanças tecnológicas, o ser humano deveria se reinventar profissionalmente, o que é muito difícil para alguém de 40, 50 ou 60 anos de idade. Não sabemos o que ensinar nas escolas às crianças de hoje, apenas atuamos por inércia, repetindo ou modificando modelos de ensino consagrados no passado.

Continua na próxima semana.

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