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Fera humana

Artigo escrito por João Alvarenga, professor de redação e cronista
Fera humana
Crédito da foto: Divulgação

João Alvarenga

Francamente, não dá para entender o que se passa pela cabeça de algumas pessoas que, ao cometerem atos bizarros, reduzem a espécie humana à condição de verdadeiros monstros. Muitos agem como se fossem feras descontroladas, embora se achem racionais e donos do destino de criaturas que julgam inferiores.

Desse modo, infelizmente, capturam, comercializam e exterminam seres fragilizados pela mão humana. Um episódio divulgado pelo Cruzeiro do Sul estarreceu a todos: um rapaz, talvez drogado, brutalmente, cortou as patas dianteiras de um inofensivo gatinho.

Porém, essa condenável atitude não é caso isolado; afinal, Sorocaba tem um triste histórico de práticas cruéis contra animais, pois nem os cavalos escapam de atos abusivos. Tanto que também foi manchete recente: “Maus-tratos a animais teve mais de mil denúncias”.

De acordo com a seção responsável pelo bem-estar animal da Prefeitura, cães e gatos são os principais alvos de ações nefastas de pessoas que se mostram contrárias à ideia de acolher tais criaturas que, no fundo, precisam de carinho e proteção. Há casos em que um simples latido se torna motivo de implicância de vizinhos que tomam atitudes inadequadas.

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Para quem acha pouco, tais ocorrências, de acordo com as denúncias, foram registradas ao longo de 2020, bem no auge da pandemia. Alguns poderão se justificar, dizendo que perderam a cabeça por causa do isolamento social, como isso fosse desculpa para tanta crueldade.

O fato é que os casos vão desde o abandono, passando por agressões gratuitas e até envenenamentos. Com certeza, os agressores desconhecem as lições de São Francisco de Assis, que pregava o respeito à natureza e aos animais.

Para quem leu tais matérias e ficou com a impressão de os sorocabanos perderam o senso e se deixaram levar pela brutalidade dos tempos atuais, resta o consolo de que saber que, em nossa cidade, há inúmeras ONGs que, sem apoio governamental, acolhem os PETs vítimas de maus-tratos. Isso desfaz essa má impressão.

(*) João Alvarenga, professor de redação e cronista.

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