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Falta pouco, mas nossos cuidados aumentam com a vacinação

Artigo escrito por Maristela Alves Lima Honda e Paulo Sérgio Leme Quintaes

Maristela Alves Lima Honda
Paulo Sérgio Leme Quintaes

Quando há cerca de três semanas começamos a vacinação dos quase 3 mil profissionais de saúde do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, numa resposta rápida do governo estadual, pudemos perceber a emoção e alívio daqueles que recebiam a vacina: lágrimas contidas, choro, risadas, palmas, alegria nervosa, relaxamento.

Foram três etapas de vacinação com os dois tipos de vacina disponíveis no Brasil, uma produzida pelo Instituto Butantã, em parceria com a empresa chinesa Sinovac, e outro feito pela Fundação Oswaldo Cruz Fiocruz — com a AstraZeneca e a Universidade de Oxford (Inglaterra) –, que cumprem, com a devida segurança, o papel de minimizar as infecções e a gravidade dos casos provocados pelo Sars-CoV-2. Aguardar a segunda dose e os mesmos devidos cuidados de até então é fundamental para em poucos meses atingirmos a imunidade de todos.

Outra boa notícia: que País no mundo conseguiu produzir duas vacinas em tão pouco tempo e já, também em tão pouco tempo, aplicou doses em mais da metade do número de pessoas que já contraíram o potencialmente fatal vírus? Poderia ser mais rápido, mais bem distribuída, diriam alguns. O que importa é que em pouco tempo vamos receber novas vacinas, também de outros laboratórios que virão para atender a todos.

Temos 38.812 UBSs em todo Brasil que podem vacinar no mínimo, cada, de forma conservadora, 100 pessoas/dia, considerando uma pessoa a cada seis minutos. Pode ser mais.

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É preciso ter paciência, manter os cuidados de até agora e não transmitir a doença. Ao ler este artigo é muito provável que mais de 4 milhões de pessoas tenham sido vacinadas no Brasil contra o aniquilador vírus. É uma excelente notícia. Em especial, se considerarmos que o total de infectados em todo o Brasil até esta data está em torno de 10 milhões de pessoas, número que poderia ser muito menor. Ainda, estamos longe da imunização ideal.

Chegamos ao meio dessa batalha contra um vírus poderoso que mata 2,3% a 2,5% daqueles que o contraem e que, hoje, escolhe um público maduro e mais jovem. Esse percentual é aparentemente pequeno que, usando uma expressão comum no ambiente médico, são pessoas que “morreram afogadas no seco“, perto de 250 mil.

Com um preocupante aumento de casos em semanas recentes, o vírus chega cada vez mais próximo de nós. São celebridades, políticos, familiares, amigos e pessoas comuns e uma grande categoria: médicos e enfermeiras(os) que se expõem para salvar as vidas daqueles que, muitas vezes, se expuseram irresponsavelmente ao risco da contaminação. São vidas, não é um percentual pequeno. É muita gente. Quase a metade da população de Sorocaba.

Um outro fato comovente e digno do bom caráter do nosso povo é a vacinação daqueles com mais de 90 anos — sim, com todo o direito que têm, por tudo aquilo que já contribuíram com este País, pelo respeito que mostramos aos nossos pais, avós e bisavós. Que alegria ver não apenas a vacinação dessa faixa — e agora os de 85 e, calma, sua vez vai chegar — como também o entusiasmo e cuidados dos profissionais de saúde que aplicam as vacinas.

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Uma bela descrição dessa gravura que nos salva enquanto seres humanos e como brasileiros, está no artigo do pioneiro do CHS e pediatra, dr. Edgard Steffen, que registrou em sua crônica neste Jornal: “(…) A equipe da saúde está de parabéns… simbolicamente, mostraram que Sorocaba não minimiza o problema da Covid-19… espadas de Dâmocles estão sendo tiradas de nossos pescoços e estamos mais perto da liberdade de ir e vir. Continuaremos evitando aglomerações, usando máscaras e seguindo orientações da Vigilância Epidemiológica. Mas nossas cansadas retinas vislumbram luz no fim do túnel.”

O Seconci-OSS, parceiro da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, atende de forma filantrópica a casos de centenas de enfermos pela Covid-19 nos seis hospitais e unidades de saúde públicas no Estado de São Paulo, incluindo o CHS em Sorocaba — que atende até mais que 48 cidades de nossa região — e até pouco tempo o hospital de campanha do Ibirapuera e Barradas (Heliópolis). Nossa grande alegria é devolver os pacientes às suas famílias. Nem sempre conseguimos isso apesar de nosso excelente corpo médico e de enfermagem e recursos que não nos faltam. Precisamos contar mais com a população. E isso, caro leitor, depende da sua ajuda na conscientização junto àqueles ao seu redor. Falta pouco. Muito pouco. Vamos vencer essa cruel pandemia.

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Maristela Alves Lima Honda é vice-presidente estadual Seconci.
Paulo Sérgio Leme Quintaes é superintende geral OSS Seconci.

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