Artigos Educare

Enxurrada de livros

Uma coisa é certa: o que está feito não tem volta. E tem mais: não dá para simplesmente lançar os livros à fogueira
Enxurrada de livros
Crédito da foto: Divulgação

João Alvarenga

Há notícias que não deixam dúvidas porque exalam evidências pelo ar. Mas, o odor nem sempre é agradável. A repentina aquisição de mais de um milhão de livros, feita pela Prefeitura, é o típico exemplo dessa situação, pois essa enxurrada de livros consumiu R$ 29 milhões do cofre municipal. Uma CPI está em curso, na Câmara, para apurar os fatos. Em sã consciência, ninguém deve ser contra a compra de livros, principalmente num país tão carente de estímulos à leitura. Além disso, Sorocaba ostenta o título de “Cidade Educadora”, emblema que até justificaria fabulosa compra.

Talvez, tal ação pedagógica não gerasse tanta polêmica, caso fosse executada ao longo do ano letivo de 2020. Todavia, segundo reportagem, esse gasto se deu no último minuto do segundo tempo do período escolar, quase no “fechar das cortinas” da gestão passada. Para os denunciantes, não se trata de um repentino surto de amor aos livros; mas, quiçá, uma manobra para que a administração anterior atingisse os 25% de gastos com Educação, conforme determina a legislação.

Leia mais  A segunda fileira

Mas, especulações à parte, e sem entrar no mérito do conteúdo das obras, o que salta aos olhos é o paradoxo: mais de um milhão de exemplares paradidáticos para uma rede municipal com pouco mais de 70 mil alunos. Pelo que sabemos, as obras estão empacotadas, na Arena Multiuso, enquanto aguardam uma solução. Tal imagem pode representar o paraíso aos amantes da literatura ou, então, o “Inferno de Dante” para quem nunca leu nada.

Uma coisa é certa: o que está feito não tem volta. E tem mais: não dá para simplesmente lançar os livros à fogueira, só porque determinada abordagem é inadequada a certa faixa etária. Então, fazer o quê? Simples: os educadores da pasta têm sensibilidade para saber qual obra se ajusta ou não à determinada idade. Basta fazer uma triagem, a fim de aproveitar o ano letivo de 2021. E as obras que não se ajustarem à linha pedagógica devem ser destinadas ao acervo da Biblioteca Municipal que, também, saberá disponibilizá-las ao público adequado.

Leia mais  Três sondas chegaram a Marte

(*) João Alvarenga professor de redação e cronista.

Comentários