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E a cidade em 2062 era…

Paulo Celso da Silva

O interior paulista começa, como todos os anos, a fazer projetos, rever, reprogramar seu futuro enquanto região metropolitana e cidade global. Como o mês de agosto está chegando, é hora de todos pensarem e enviarem suas sugestões e ideias para refletir a Sorocaba de 2162. Agosto tem a grande festa cívica, graças ao trabalho desenvolvido pela Escola Legislativa de Sorocaba, a participação no presente/futuro é massiva, um compromisso com a cidade que ficará para as gerações vindouras. Em junho/julho o sorocabano diverte-se nas festas religiosas e folclóricas.

Desde a década de 2040 que a cidade optou por “escutar” o rio Sorocaba e o Parque das Águas, que começa na altura da avenida Arthur Bernardes e é caminho de ciclistas e pedestres, os carros desviam pela margem direita do rio para atingir os lados do Ibiti. Os problemas decorrentes das enchentes, naquele ponto, acabaram. A várzea do rio voltou a ser considerada.

O sistema viário da cidade transformou-se para atender aos pedidos da população, que optou pela descontaminação rigorosa do ar, no lugar de paliativos, como proibições e rodízios de placas. As grandes artérias da cidade estão ligadas por tranvias elétricos. A avenida General Carneiro atinge até a UFSCar de um lado. Do outro lado, o tranvia faz conexão com o ramal da avenida São Paulo, no terminal de transportes Santo Antônio. O ramal da avenida São Paulo atinge até o bairro de Brigadeiro Tobias. Do terminal também saem tranvias que sobem a rua Comendador Oeterer em direção à avenida Ipanema e avenida Itavuvu. Em todas as direções as linhas se encontram com as das cidades vizinhas, afinal é uma região metropolitana e o transporte é essencial quando se trata de desenvolver e ampliar uma economia limpa. Nesse ponto, desde décadas que a economia local não se baseia na indústria de transformação, metalúrgica, oficinas, montadoras etc. que foi, gradativamente, sendo substituída por uma economia solidária de prestadores de serviço, agricultura familiar e desenvolvimento de tecnologias para energia eólica, solar, novos materiais e informática. Essa mudança coube, em boa medida, ao setor universitário que assumiu seu papel de antecipador dos processos socioeconômicos, em parceria com os setores privado e público.

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O leitor pode se perguntar em que cidade esse professor vive em 2062; seria a mesma Sorocaba com tanta coisa por fazer? Se esse professor acha que agora estamos em um paraíso terrestre, imagina, então, como será o ano de 2162 dele!?

Não é verdade.

Podemos concordar que os avanços tecnológicos também ajudaram, como é normal, no desenvolvimento de outra cultura e outras relações sociais. Mas o mais importante é que continuamos humanos, com sua criatividade e suas contradições, a mover a história construída diariamente. E a participação na festa cívica do mês de agosto confirma isso: construção coletiva criativa e contraditória. Cabe ao coletivo público privado citadino chegar a um acordo, visto que, como a maioria já tem como valor ético para si, o público é, realmente, de todos. E assim, é dever de todos zelar pelo que é público. Esse aprendizado começou nas escolas infantis públicas e privadas, em atitudes simples, como não deixar parar na faixa de segurança na frente das escolas, “ensinando” ao próprio filho que a faixa é um privilégio dele e não um direito de todos os alunos e pedestres da cidade. As crianças fizeram um trabalho longo e cansativo para convencer seus pais e mães disso, foi uma conquista que desencadeou novas ações educativas permanentes, demonstrado, uma vez mais, que não podemos descuidar do bem comum.

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Então, vamos em frente, que o futuro foi ontem.

Paulo Celso da Silva – professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Uniso. E-mail – paulo.silva@prof.uniso.br

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