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Dia da Pizza

Edgard Steffen 

10 de julho de 1985 — A Secretaria de Turismo de São Paulo cria o Dia da Pizza

Sento frente ao meu PC. Li nos jornais que hoje é o Dia da Pizza. Resolvo pesquisar. Fico sabendo que, em 1985, a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo realizou concurso para eleger as 10 melhores pizzas de muçarela e margherita. Entusiasmado com o sucesso do certame, o secretário Caio Luiz de Carvalho promoveu a data do encerramento e criou o Dia da Pizza. No edital do concurso, assim como em muitos cardápios, mussarela está grafada com dois esses.

Busco o velho e sempre atual Houaiss. Na rubrica Culinária, o dicionarista descreve o substantivo feminino pizza — que os portugueses escrevem com somente um “z” — como iguaria de origem italiana, feita de massa de pão em geral aplainada e recoberta de queijo, tomate e diversos outros ingredientes, e cozida em forno. Descubro também a inexistência do verbete “Mussarela”. Você pode escrever muçarela e mozarela para designar aquele queijo branco de origem italiana usado na popular iguaria aniversariante. Ou manter a grafia original “mozzarella” com dois eles e dois zês, ou cortar as duplas consoantes e cravar “mozarela”, sem medo de errar.

Encontro na Internet versões sobre as origens do prato. Há quem ligue a iguaria napolitana à antiguidade egípcia. Seriam eles os primeiros a misturar trigo, fermento e especiarias. Gregos, babilônios, hebreus, fenícios também são citados como inventores do alimento, assado sobre pedra aquecida. Há os que ligam o nome atual à piscea ou pão de Abraão de forma achatada e arredondada à semelhança dos atuais pães árabes.

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A iguaria teria chegado a Nápoles trazida pelos cruzados. Não tinha a forma redonda. Considerada comida dos pobres, era vendida nas ruas por ambulantes. Consumia-se dobrada e recheada de toucinho, queijo ou peixe-frito.

Se há dúvidas quanto a origem desse gostoso alimento no mundo gastronômico, em meu mundo familiar tenho certeza de quando foi introduzida e quem a introduziu. Rosaria, minha cunhada filha de espanhóis — capaz de transformar escassos ingredientes em festa de Babete — trouxe a novidade no fim dos anos 30. Com uma latinha de aliche (enchova) e queijo branco caipira preparou a novidade no fogão a lenha de nossa casa. Usou o queijo produzido no sítio. No interior nem se sabia da existência da muçarela.

Essa inexperiência me fez pagar um mico. Anos depois, adolescente, fui comer pizza no balcão de um bar da capital. Quando mordi o triângulo, aquela massa plástica/elástica não parava de esticar ameaçando ultrapassar a envergadura de meu comprido braço. Meu apuro virou alvo de gozação pelo primo que me acompanhava.

Inicialmente confinada apenas à colônia italiana e a poucas cantinas, a pizza hoje é encontrada dos mais caros restaurantes às mais humildes bodegas em todo território nacional. Se você viajar para algum país de comida estranha aos seus hábitos alimentares, peça pizza. Dificilmente errará.

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A iguaria napolitana criou frase muito usada para apaziguar conflitos. Deve-se a Milton Peruzzi — locutor e jornalista de A Gazeta Esportiva — a criação do mote. O jornalista testemunhou difícil conflito entre diretores do Palmeiras. Acaloradas discussões estenderam-se por 14 horas. A fome os levou a uma pizzaria. Após chopes, vinhos e 18 pizzas gigantes chegaram a um acordo. Peruzzi criou a manchete. “A crise no Palmeiras terminou em pizza”.

A frase pegou e passou a definir “jeitinho” para considerar resolvido o que não se resolveu. Nossa esperança é que não venha a ser usada para a Lava Jato.

Fonte de consulta: Wikipedia

ERREI: Na crônica sobre o 9 de Julho, por confiar na desmemoriada memória, inventei um Marcos no MMDC. Perdão. O primeiro M refere-se a Martins. Perdão é feito pra gente pedir, diria Ataulfo Alves.

Edgard Steffen é médico pediatra e escreve aos sábados neste espaço – edgard.steffen@gmail.com

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