Artigos

Cultura derrota a pandemia com criatividade e participação

Artigo escrito por Antônio Carlos Sampaio, presidente da Fundec
Fundec assume cadeira de Formação Cultural
Crédito da foto: Emidio Marques (8/3/2019)

Antônio Carlos Sampaio

O ano de 2020 começou, como todo o ano, com planos, otimismo e muita vontade de fazer acontecer no meio artístico. A Fundec também começou assim, com uma nova diretoria, cheia de planos, ideias, com mais diversidade e muita vontade de agir. Entre os professores, músicos e administrativo havia o mesmo sentimento.

Porém, repentinamente, sem nenhum aviso, tudo mudou e a cultura que, em tempos normais, já não tem uma vida fácil, passou a ter mais um desafio, a pandemia. A Fundec, assim como outros órgãos, grupos culturais e artistas, em um primeiro momento, precisou buscar informações e se situar.

No nosso caso, essa “freada” serviu também para nos reorganizarmos, passarmos do sistema de aulas presenciais para as plataformas virtuais. Assim, as apresentações na Sala Fundec foram para as redes sociais. Não foi nada fácil, mas tivemos muita ajuda dos instrutores, dos alunos que totalizavam mais de 700, dos membros da orquestra, dos regentes, do maestro, dos funcionários.

A instituição não tinha condições financeiras para oferecer-lhes uma plataforma virtual única e paga. Porém, cada um saiu atrás de alguma maneira para continuar suas aulas, seus exercícios, e foram adquirindo novos conhecimentos e trocando com os colegas.

Leia mais  Pandemia, Vacina e Ética

Revelações surgiram nesse contexto, mostrando a beleza do trabalho em equipe, com muitas pessoas criativas produzindo em linguagem que nunca antes haviam utilizado. Portanto, na Fundec, mesmo com orçamento enxuto para o número de pessoas envolvidas, as dificuldades não foram diferentes de muitos grupos.

Com a pouca condição dos equipamentos disponíveis, seus membros utilizaram-se de seus próprios celulares, programas gratuitos, sensibilidade, profissionalismo e muita vontade. Também foram envolvidos pais e mães de alunos, que motivaram seus filhos para continuarem.

Percebemos que havia uma união de pessoas que acreditavam na cultura como uma das molas propulsoras para o desenvolvimento de cidadãos na busca do bem-estar, da felicidade.

Iniciamos timidamente as ações nas redes sociais, com eventos simples e descontraídos, buscando errar pouco e aprender com a experiência. Começamos disponibilizando gravações de muitas das apresentações realizadas anteriormente. O público virtual gostou, houve número significativo de acessos.

Leia mais  O Banco do Brasil, o ajuste e o emprego

Criamos novas atividades com o apoio recebido do público em geral, da Secretaria da Cultura e de alguns dos nossos amigos. As atividades ganharam mais complexidade e qualidade, com mais envolvimento do publico e atingimos cerca de 450 mil pessoas pelas redes no ano de 2020.

A pandemia criou instabilidade em todos os setores da sociedade, gerando incerteza e insegurança. Mas a classe artística teve toda essa difícil situação potencializada pela grande quantidade de troca de titulares no cargo da Secretaria da Cultura de Sorocaba.

Também, por conta da pandemia, as receitas provenientes de bilheteria, locações, inscrições e outras foram zeradas. Depois, tivemos a noticia de que aquele orçamento que já tinha sido reduzido drasticamente nos anos anteriores estava novamente ameaçado de um possível corte de 50% até o final de 2020.

Após muita luta para reverter esse quadro, logo em seguida novo comunicado: a verba do convênio que já era insuficiente para manter os mais de 700 alunos, nos mais diversos cursos, tanto voltados para aulas de instrumentos, canto e artes cênicas, como também da orquestra sinfônica, banda e apoio às mais diversas formações artísticas, foram novamente ameaçadas, pois um novo corte de mais de 40% no orçamento para 2021 foi apresentado pelo governo municipal. Novamente iniciamos a luta para que pudéssemos manter a verba anterior, única forma de continuar com as atividades.

Leia mais  Violência contra a mulher deve ser combatida em casa e na sala de aula

Nós não pudemos nos apresentar nem nos reunirmos presencialmente, mas nos sentimos gratificados, pois, nesses momentos, quando precisamos ficar mais isolados, a Fundec pode continuar produzindo, levando aprendizado a seus alunos, oferecendo não só cultura e arte a uma significativa quantidade de pessoas, mas também se aproximando delas.

A Fundec agradece a todos que de uma forma ou outra ajudaram para que essas ações acontecessem em 2020. Temos a Esperança de que em 2021 faremos mais do que isso e traremos, para o contexto presencial e virtual, mais pessoas do que antes.

Antônio Carlos Sampaio é presidente da Fundec.

Comentários