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Cuidado! Confraternizações de final de ano

Se você exagera, bebe e não sabe o que faz, entenda: as pessoas sóbrias vão saber!

O problema do final de ano é exagerar nas confraternizações da empresa. É aí que mora o perigo. Há, até, orientações formais para isso. Se você exagera, bebe e não sabe o que faz, entenda: as pessoas sóbrias vão saber!

(Para quem se excede nessas confraternizações de fim de ano, a Legislação brasileira abre exceção e autoriza a receber eutanásia no dia seguinte).
— Alô, Juliano?

— …

— Fiquei sabendo na firma. Você não se lembra de nada?
— …

— Happy-hour legal?! Não. Festa de confraternização da empresa… — Esqueceu? Pudera. Disseram que você já chegou “calibrado”… — Estava animado, sei… — Até deu um trocado para o rapazinho do violão e começou a tocar, depois tirou todo mundo pra dançar… — Pois é… não era um boteco, não tinha um rapazinho músico. Era um padre, o violão era o troféu que a empresa ganhou e a mulherada sexy de vestido longo era o coral das sexagenárias, vestidas de beca. E não foi happy-hour e, sim, a missa de ação de graças de fim de ano da empresa! — … O chefe? Estava. Você até arrancou a peruca dele e falou que iria depilar e depois devolveria…

–…

— Você esqueceu, sei…, mas ele não.

–…

— Não tem senso de humor…

–…

— Você não vai querer saber… — Tudo bem eu conto. Você bebeu, pegou o carro e foi pra casa… — Não. Não teria tanto problema se o carro fosse seu. Você se lembra do Nestor? … — Esse! Você pegou as chaves, as chaves do carrão dele… — Confundiu. Claro. Muitas semelhanças? Cor parecida, modelo, ano! Só que você tem moto e o Nestor tinha uma BMW zero … — Sei. Não se lembra bem… — Entendo, claro. Afinal, o poste estava em alta velocidade, na contramão e sem habilitação… — Claro que o Nestor entendeu, depois que saiu do coma. Quando você entregou as chaves do poste pra ele… — A BMW zero? Não tinha seguro ainda, não… — Como ficou o carro? O Nestor estacionou na frente da casa e tomou multa por deixar lixo na rua… — Sei. Você vai argumentar com o Nestor das vantagens de ter um carro conversível. Melhor, metade cupê e a outra metade conversível e com um poste inteiro no meio… — A mulher dele? Você tá falando só dela ou das outras seis vítimas? … — Sei… — Você acha que era ela dirigindo o poste… — Não. O poste tá bem, já a mulher do Nestor, misericórdia! … — Ainda acende… — O poste não, mas a mulher dele sim. Engoliu o pisca-pisca e dá seta quando quer ir para a direita… — Eu sei que você jurou pela sua mulher e seus filhos que não tinha bebido. Se pelo menos você fosse casado, né? … — Fez teste do bafômetro, sim! Você até insistiu. Para um policial atropelado por uma BMW com um poste no meio, ele foi bem legal… O bafômetro acabou preso por excesso de álcool…

— Sei… — Jura que não vai exagerar mais nessas festas… — Acredito. Vimos as fotos no escritório. Sente-se outro… outro nariz, outra orelha, outra perna? Com o tempo a gente se acostuma. Você até pegou uma corzinha. Verde limão. Ninguém vai notar… — Continua um pouco descascada, é claro, lanternagem fica caro… — A BMW, não. Tô falando da mulher do Nestor… — Ouvi. Bebida nunca mais! Você saiu cedo da festa… — Tava apertado? … — Foi ao banheiro… — O brinde, com aquela taça grande? Não era brinde. O chefe estava recebendo a taça do prêmio de Empresa Mais Recatada do Ano, você fez xixi dentro… — Como eu soube disso? Viralizou nas redes sociais!

— Alô! Alô, Juliano?

“Chegou parte do 13º salário. Parece pouco, mas quando você vai ver …é pouco mesmo.”

José Feliciano é redator de humor e mistérios — médico de funilaria.

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