Buscar no Cruzeiro

Buscar

Covid-19 Quais as minhas responsabilidades?

13 de Junho de 2020 às 00:01

Fernanda Gomes Leite com Denise Grotto

Apesar de a sociedade já ter passado pelas mais diversas situações, as presentes gerações brasileiras nunca enfrentaram nada semelhante ao que vem acontecendo desde março deste ano. Há três meses, palavras como vírus, pandemia, quarentena e isolamento se tornaram tão comuns quanto o levantar da cama. O problema veio como uma onda e tirou do eixo a vida de muitas pessoas, entretanto, esta pandemia trouxe consigo outra dificuldade, evidente desde o início.

Crescemos vendo tragédias de todos os tipos, mas crescemos também pensando que nunca seremos atingidos por elas; eis aqui o problemático pensamento que pode nos fazer não levar a sério a atual situação. E não é um incidente local, nem estadual, nem restrito ao Brasil, é uma pandemia que atingiu e paralisou o mundo inteiro.

Mas o que eu, que vivo no interior, que cuido da minha vida e não posso pará-la, tenho a ver com isso? Pois bem, quando uma situação diz respeito à saúde pública, estamos falando em um contexto muito maior do que apenas o indivíduo. Segundo os recentes estudos, cerca de 80% de todos os infectados não apresentam sintomas. Então, agora, eu te pergunto: o que você tem a ver com isso?

Você tem tudo a ver, todos nós temos, na verdade. O vizinho que dá festa em fim de semana, o amigo que vai para outra cidade visitar os parentes... O momento não nos pede pensamentos em nós mesmos, mas sim no coletivo, isso se chama responsabilidade social. Se 80% dos pacientes são assintomáticos, quais as chances de transmitirmos o vírus sem sequer termos a noção disso? São muitas! Aqui está o grande problema desta pandemia e o grande problema de não levarmos a situação a sério.

Ressalto ainda outro ponto: tem se falado muito dos grupos de risco, e todo cuidado é essencial quando se trata de pessoas com doenças cardiovasculares, doença respiratória crônica, hipertensão, diabetes, insuficiência renal e câncer, segundo o Ministério da Saúde. Quando dizemos que o isolamento é necessário, estamos pensando principalmente nestes indivíduos, aos quais a doença pode trazer consequências muito maiores do que a indivíduos saudáveis. Pensar que isto não é algo sério é fugir das suas responsabilidades para com a sociedade.

É hora de entender que as recomendações dos profissionais da saúde devem, sim, ser seguidas, que o isolamento e a quarentena são necessários para quem pode usufruir deles e que o álcool em gel 70% e a higienização são muito importantes. É hora de pensar que nem todos têm acesso a hospitais particulares, e mesmo o SUS sendo essencial no momento, sabemos que não há estrutura para dar o suporte caso a população inteira apresente os sintomas.

Para os trabalhadores que não têm opção e precisam trabalhar durante este momento, os cuidados citados devem ser redobrados. O que se recomenda, além disso, é trocar e lavar as roupas sempre que voltar para casa, bem como tomar banho e lavar o cabelo.

O uso de máscaras de proteção não é mais uma opção, e sim uma atitude responsável, tanto consigo mesmo quanto com os outros. A taxa de contágio do vírus já se provou altíssima, isto quer dizer que ele é facilmente transmitido. Assim, usar máscara quando houver necessidade de sair de casa se torna muito importante, pois assim podemos evitar o alto contágio; mas, ainda assim, não garantimos que o vírus não será transmitido.

Então, se ainda há questionamento sobre o que fazer nesta pandemia, é momento de ouvir, de entender e de ter paciência, acima de tudo. Em um momento onde a resposta é permanecermos sozinhos, devemos ter em mente que isto não é sinônimo de pensar apenas em si.

Fernanda Gomes Leite é farmacêutica e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF), da Uniso, e Denise Grotto é professora do PPGCF-Uniso ([email protected]).