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Como contemplar o Cristo no irmão doente?

Artigo escrito por Pe. Flávio Miguel Júnior, presidente da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba

Pe. Flávio Jorge Miguel Júnior

“Quando foi que te vimos enfermo e fomos te visitar?” Responderá o Rei: “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mateus 25,39-40).

A doença é uma realidade que ninguém deseja. No entanto, ela chega sem pedir licença, e muitas das suas visitas vêm para tirar a paz no lar de muitas famílias. Contudo, mesmo em meio à doença, nós cristãos somos convidados a fazer como Jesus Cristo, e com Ele, o caminho da cruz. Muitos foram os santos e santas que a Igreja já canonizou, que fizeram de suas enfermidades um caminho de santificação e purificação.

Na família, onde se encontra uma pessoa doente, os membros dela necessitam estar imbuídos do Evangelho para, diante da doença e do tratamento, ser um sinal de esperança e consolo. Além dos cuidados médicos e do tratamento com medicação, a pessoa doente necessita de amor, carinho e atenção.

Em muitos casos, há pessoas que são totalmente dependentes de seus familiares para se movimentar, tomar banho, alimentar-se, fazer as necessidades fisiológicas; isso devido a uma doença degenerativa ou paralisia. Em minha família e entre conhecidos, pude ouvir de pessoas que têm esse tipo de doença e passam por tais tratamentos, que viver assim é uma humilhação, é vergonhoso.

Pode até ser vergonhoso, que realmente se sintam assim, pois como deve ser difícil — emocional e psicologicamente — para uma mãe doente, que faz o uso de fraldas, ter que depender de um filho homem ou do próprio esposo para trocá-la e dar banho! Talvez, para você que vive tal realidade, essa seja uma oportunidade de unir-se à cruz de Jesus e oferecer cada minuto de sua vida ao Senhor em atitude de louvor. O caminho do cristão é o mesmo que Cristo passou, um caminho de sofrimento e cruz. Porém, temos a certeza de que com Ele venceremos todas as tribulações!

Se você está no outro lado, como um membro da família que cuida do irmão, do filho, pai, mãe, cônjuge, nora, genro ou qualquer pessoa que tenha outro grau de parentesco, saiba que é sua chance de praticar o Evangelho. No “irmão doente” você contempla o rosto de Jesus Cristo.

Na Igreja aprendemos que os irmãos enfermos são um sinal privilegiado da presença de Jesus sofredor no meio de nós. É uma oportunidade única de experimentar a graça da misericórdia divina fluindo em nós.

Para vencer e superar o cansaço e a rotina, a família deve contar uns com os outros no auxílio e ajuda mútua, no cuidado com o membro enfermo. Por isso, a necessidade de diálogo e compreensão na divisão dos gastos financeiros, principalmente, na vida de oração.

Sem vida de oração e intimidade com Deus, cuidar de um membro da família que está doente torna-se um peso em pouco tempo, gera murmuração. Devemos sempre nos colocar no lugar do outro e nos perguntar: “E se fosse eu o doente, o enfermo, como eu gostaria que me tratasse?”

Jesus disse: “Orais uns pelos outros para que sejam curados”. Diante de uma doença, a primeira coisa a fazer é procurar um tratamento médico, mas devemos ter também a coragem de reunir a família e orar pela pessoa doente. A oração é também fonte de cura e libertação.

Papa Francisco certa vez partilhou: “Como eu queria que fôssemos capazes de ficar ao lado do doente da maneira de Jesus, com silêncio, caridade e oração!”. Está aí o convite do nosso querido Papa: façamos o esforço de colocá-lo em prática, primeiramente em nossa casa, com os mais próximos, em nossa família. E é claro, você, que tem um amigo ou parente enfermo, ou é da área da saúde e trabalha em uma clínica, hospital ou até mesmo em um asilo, torne esse desejo do Papa uma realidade.

Pe. Flávio Miguel Júnior é presidente da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba.

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