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As doenças transmitidas por mosquitos

É fundamental a prevenção, feita através da adoção de medidas sanitárias

Ao retornar de suas viagens as pessoas ficam preocupadas com a possibilidade de apresentar certas doenças transmitidas por mosquitos, principalmente se o local visitado é zona endêmica de enfermidades tradicionais, como a malária, doença de chagas, dengue, febre amarela e úlcera brava ou leishmaniose. A malária, que faz 600 mil novas vítimas por ano, é encontrada em toda Amazônia legal, além de Mato Grosso, Goiás, Maranhão e grande faixa de nosso litoral. No Estado de São Paulo ocorrem focos isolados no litoral e trechos do rio Paraná.

O impaludismo é transmitido ao homem por mosquitos do gênero Anopheles, existindo 48 espécies em nosso país, sendo cinco delas de importância fundamental (darlingi, aquasalis, albitarsis, cruzii e bellator) pela densidade, resistência (Iongevidade), apacidade de sugar sangue e domesticidade. Nas regiões tropicais, as chuvas controlam os focos de mosquitos, que atingem sua máxima atividade no fim do verão e início do outono, predominando em áreas baixas, quentes e úmidas.

O vetor da malária é sempre fêmea, conhecido como “mosquito-prego”, em virtude de pousar perpendicularmente à parede, dando a impressão de um prego. A malária tem importância para as pessoas que frequentam as áreas endêmicas, tais como, pescadores, garimpeiros, turismo ecológico etc. Após a picada infectante, o indivíduo vai apresentar um quadro de gripe que não vai adiante, vindo depois a crise malárica. cujos sintomas característicos (febre alta, tremor e suor) voltam a cada 48 horas (febre terça) ou 72 horas (febre quarta), conforme o tipo do parasito (Plasmodium falciparum, vivax ou malariae).

A doença de chagas e o mal do engasgo são transmitidos por mosquitos conhecidos por “barbeiros” (gêneros Triatoma, Panstrongylus e Rhodnius). chupanças, bicudos, borrachudos, etc. A doença ocorre entre 4 e 6 milhões de brasileiros, principalmente nos Estados de
Minas, Goiás, Bahia e Rio Grande do Sul. Em nosso Estado, a doença foi praticamente erradicada. O indivíduo adquire a infecção nas casas de pau-a-pique, com suas paredes de barro e cobertas de sapé ou capim, onde vive o barbeiro. Durante a noite o inseto abandona seu esconderijo para picar o rosto do homem, injetando o parasito (Tripanossoma cruzi). O T. cruzi ataca o coração e o tubo digestivo, provocando a inflamação do coração e os megas ou dilatações exageradas do esôfago e intestino grosso. O tratamento da doença é problemático e a prevenção é feita com pulverizações das habitações (DDT. BHC) ou sua substituição por casas de alvenaria.

A febre amarela urbana e a dengue são transmitidas pelo mesmo inseto, isto é, o Aedes aegypti. A febre amarela urbana não ocorre no Brasil desde 1942, porém, a forma silvestre existe em toda a Amazônia, Mato Grosso, Goiás, Bahia, etc. Atualmente o Aedes tem sido encontrado em praticamente todos os Estados brasileiro e seus municípios. A dengue faz milhares de vítimas por ano, sob as formas benigna (febre alta, dores intensas nos ossos e articulações) e hemorrágica (manchas vermelhas na pele). Por isso, é fundamental sua prevenção, que é feita através da adoção de medidas sanitárias, tais como reduzir ou eliminar objetos que acumulem água parada (vasos, pneus, latas, etc), uso de telas, pulverizações com inseticidas nas casas e focos do mosquito.

Para a febre amarela existe uma vacina com duração de 10 anos, porém, o mesmo não acontece com a dengue. A úlcera brava, também conhecida como úlcera de Bauru e botão da Bahia (Leishmaniose cutâneo-mucosa) é causada pela Leishmania brasiliensis e transmitida pela picada do mosquito-palha, birigui, cangalhinha, etc (flebótomos). Entre nós já foi encontrada em todo território, mas com preferência pelos Estados de São Paulo, Minas, Paraná e Pernambuco. Após a picada surge uma lesão avermelhada, que se transforma em ferida na pele e mucosas.

A destruição do septo nasal provoca a queda do nariz, que adquire aspecto de focinha de anta ou tapir. As feridas são extremamente resistentes aos tratamentos usuais, necessitando de medicamentos específicos. antimoniais). Atualmente existe uma vacina para a doença, com bons resultados parciais. Desta forma, os mosquitos, de uma maneira geral, provocam numerosas enfermidades, variando as doenças conforme as espécies. Somente o nosso irritante e indesejável pernilongo (Culex), que perturba o sono dos justos, nada provoca, a não ser discretas reações alérgicas locais.

Artigo extraído do livro Doenças – Conhecer para prevenir (Ottoni Editora), de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes, falecido aos 77 anos, no dia 6 de junho de 2013.

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