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As alergias aumentam no inverno

Artigo extraído do livro Doenças - Conhecer para prevenir, de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes

Mário Cândido de Oliveira Gomes

No inverno, os portadores de alergia pioram, em virtude do clima seco, maior poluição decorrente da inversão térmica, que impede a dispersão dos poluentes ou infecção por vírus, principalmente nas crianças. Também as queimadas ou os fungos. Por isso triplica a incidência das alergias respiratórias, como rinite e asma. Nesse período também é maior o uso de cobertores de lã e vestimentas, que acumulam pó e ácaros. O clima seco resseca as membranas (mucosas) que revestem e protegem as estruturas da boca, nariz e pulmões, pela secreção de muco e imunoglobulina do tipo IgA. Por sua vez, o muco envolve os germes e as partículas estranhas que invadem o aparelho respiratório, sendo eliminadas pelas narinas ou absorvidas pelo sistema digestivo.

O frio também atrapalha o movimento dos cílios que revestem o trato respiratório, ajudando a expulsar o muco. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 30% da população mundial sofre de alergia. Somente a asma brônquica é responsável por quase 16 milhões de pessoas, sendo, inclusive, a quinta maior causa de internação pelo SUS. Por outro lado, a higiene do meio ambiente é de grande importância para as doenças alérgicas, pois evitam as manifestações da doença ou diminuem sua intensidade. Assim, independentemente do tratamento com remédio, algumas medidas podem ser tomadas para manter a higiene ambiental na residência do alérgico, como, por exemplo: no dormitório deve-se encapar os colchões e travesseiros com material impermeável, para permitir a lavagem a cada 3 ou 4 semanas ou capa especial antiácaros; lavar as roupas de cama uma vez por semana; limpar as cortinas e pisos com pano úmido e desinfetante suave, principalmente os carpetes, duas vezes por semana, afastando o alérgico do ambiente por 30 minutos, assim como manter a superfície dos móveis livres de objetos e roupas ou papéis dentro de armários.

Nas demais dependências da residência é recomendado o uso de estofados de couro ou similar, visando facilitar a limpeza com pano úmido. Os cômodos devem ser bem ventilados e expostos ao sol, evitando o contato com os animais domésticos, principalmente os cães e gatos. Lembrar sempre que nem todo sibilo ou chiado no peito faz o diagnóstico de asma brônquica, assim como nem toda rinite é de fundo alérgico. Não esquecer, ainda, que a asma pode se manifestar somente com tosse seca, repetitiva, que inferniza a vida dos pais e familiares. Na dúvida, consultar um especialista para fazer os testes necessários, como os de contato e escarificação. No inverno também é frequente o aparecimento de infecções respiratórias causadas por vírus (gripes) e bactérias, que complicam os portadores de alergia respiratória.

A doença começa como virose, sofre infecção secundária por bactérias e, finalmente, eterniza os sintomas sob a forma de doença alérgica. Por isso, as crises de asma não cessam sem a eliminação do processo infeccioso e vice-versa. Assim como a primavera desperta as manifestações respiratórias das doenças alérgicas, em virtude do pólen das gramíneas suspenso no ar e disseminado pelas correntes de vento, no inverno a piora acontece pelo clima, poluição, inversão térmica e contato com lã. Portanto, todo cuidado é pouco.

Artigo extraído do livro Doenças – Conhecer para prevenir (Ottoni Editora), de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes, falecido aos 77 anos, no dia 6 de junho de 2013.

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