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As academias de ginástica e o seu novo formato depois da pandemia

Artigo escrito por Vagner Reolon Marcelino, professor e coordenador do curso de Educação Física da Uniso e professor na Escola Municipal Dr. Achiles de Almeida

Vagner Reolon Marcelino

É evidente que a pandemia do coronavírus provocará várias mudanças comportamentais em nossas vidas, em relação a determinados ambientes.

As academias de ginástica, ao longo de sua existência, desde a década de 40, quando eram denominadas “Instituto de Modelagem Física”, ou “Centro de Fisiculturismo”, entre outros termos, sempre foram conhecidas como espaços para promoção da saúde e bem-estar.

Nos dias atuais, esses espaços físicos, além de promoverem um estilo de vida saudável, com diversas práticas corporais, colaboram significativamente para a promoção e manutenção da saúde das pessoas. Associado a essa condição está o aspecto do convívio social entre os frequentadores.

As academias de ginástica não são apenas um espaço para promoção da saúde física, colaborando para aumentar a imunidade, manutenção, ou aumento, da força muscular, da capacidade cardiovascular, entre outras valências físicas. Esses espaços físicos são determinantes para intervenção qualitativa da saúde mental das pessoas, pois promovem o relacionamento social.

Por isso, no final dos anos 90 e começo do novo milênio, início dos anos 2000, as grandes redes de academias de ginástica começaram a investir nas suas estruturas físicas, modelando os seus espaços e incrementando áreas de convívio social, como cafeterias, espaços de leituras e etc.

Esse novo layout criava as “academias híbridas”, terminologia utilizada para demonstrar que, além das práticas corporais tradicionalmente ofertadas pelas academias de ginástica, esses locais procuravam aumentar a relação interpessoal entre os frequentadores.

Devido ao momento atual da pandemia, estamos vivenciando o isolamento social e, consequentemente, o distanciamento social, para não aumentar o contágio da doença.

Apesar de alguns estabelecimentos comerciais estarem recebendo orientações para retomarem seu funcionamento, essa situação está conectada às orientações de seguranças sanitárias.

Até o momento, as academias de ginástica, no Estado de São Paulo, por determinação do governo estadual, não estão autorizadas a funcionar.

Porém, quando essa condição for modificada, deverá obedecer às normas preventivas de seguranças sanitárias. O Conselho Regional de Educação Física do Estado de São Paulo elaborou documento denominado “Recomendações da Educação Física Frente à Pademia por Covid-19”. O documento apresenta, aos profissionais de Educação Física e às autoridades competentes, ações norteadoras para orientar a população frente à crise pandêmica. O documento está disponível no site http://www.crefsp.gov.br.

Quando as academias de ginástica voltarem a funcionar, o frequentador desse espaço deverá compreender o novo formato de funcionamento. A sua permanência nesse ambiente deverá ser objetiva e a sua prática corporal precisará estar focada, evitando o prolongamento de sua permanência, e, consequentemente, o convívio social entre as pessoas.

As academias de ginástica deverão, momentaneamente, deixarem de ser “academias híbridas” e voltarem a exercer o papel exclusivo para práticas corporais, com o objetivo de melhorar ou manter a qualidade de vida dos seus frequentadores.

Vale salientar que a retomada da inclusão de práticas corporais sistematizadas e o convívio com outras pessoas, apesar da necessidade do distanciamento social, representarão ganhos significativos, não somente para a saúde física dessas pessoas, como à saúde mental.

E todos nós estamos na torcida e na expectativa de que essas novas posturas sociais sejam passageiras, e serão, pois, em breve, retornaremos ao nosso convívio social como sempre foi.

Vagner Reolon Marcelino é professor e coordenador do curso de Educação Física da Uniso e professor na Escola Municipal Dr. Achiles de Almeida. (vagner.marcelino@prof.uniso.br)

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