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Alternativas sustentáveis de preservantes para madeiras

Kelly Bossardi Dias, com Ricardo Marques Barreiros

A madeira como material de construção possui características que a tornam atraente ambientalmente frente a outros materiais, pois é um material que consome pouca energia para seu processamento, ajuda a diminuir o efeito estufa e tem boas caraterísticas de isolamento térmico e elétrico. Boa parte das madeiras é naturalmente resistente à ação dos agentes biodeterioradores, entretanto, algumas madeiras de rápido crescimento, provenientes de floresta plantada, não são resistentes e necessitam de tratamentos preservantes. Atualmente, cerca de 70% da madeira consumida pela indústria brasileira é proveniente de reflorestamento. Na construção civil brasileira, especificamente na produção de habitação em madeira, é utilizado o Pinus sp. e o Eucalipto sp., entre as espécies de madeira de rápido crescimento proveniente de floresta plantada, na forma de madeira serrada, de chapas aglomeradas, de compensados e de peças roliças. Então, por razões ambientais, tanto a preservação de madeira tradicional e o uso de espécies de madeira resistentes são sujeitos a restrições políticas e de consumo. Sabe-se que a eficácia dos sistemas tradicionais de preservação da madeira é devido ao efeito biocida dos produtos utilizados, porém, consequentemente, poluem o meio ambiente. Além dos riscos envolvidos no uso de tais materiais, há uma preocupação crescente com os problemas decorrentes do escoamento da madeira no final da sua vida comercial. Assim, há uma crescente necessidade de desenvolver produtos químicos antifúngicos eficazes e não tóxicos para os seres humanos e para o meio ambiente.

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Esforços estão sendo feitos globalmente para desenvolver métodos alternativos de proteção com base em produtos com pouca ou nenhuma toxicidade ao ser humano e ao meio ambiente, mas o progresso na implementação das tecnologias tem sido lento por causa de diversas limitações, incluindo discrepâncias entre laboratório e desempenho no campo de produtos naturais, variabilidade na sua eficácia relacionada à exposição, condições ambientais, legislação e dificuldades devido a divergências a nível mundial na fixação de normas que definem a qualidade do seu desempenho e uso. Com base em diversos estudos, a procura por um preservante para madeira pode ser dividida em extrativos de plantas com resistência natural à biodeterioração e subprodutos de processos.
Muitos extrativos de plantas apresentam propriedades antifúngicas muito interessantes para o desenvolvimento de um produto preservativo para madeira. Entre os extrativos de plantas que estão sendo pesquisados, pode-se citar os óleos essenciais de plantas, os extrativos de plantas venenosas, os óleos extraídos de sementes e grãos, e ainda os extrativos da própria madeira como o tanino e as resinas.

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E os subprodutos de processos que possuem precursores preservativos para madeira também estão sendo estudados. Entre estes subprodutos estão a Quitosana, que é um subproduto das indústrias de processamento de crustáceos como camarão, caranguejo e lagosta; a Okara, que é um resíduo orgânico produzido a partir da fabricação do leito de soja e do tofu; e ainda o Crude Tall Oil (CTO), um subproduto da polpação Kraft.

A procura por alternativas aos preservativos atuais tem sido eficiente, porém não eficaz, ou seja, ainda não foi encontrada uma alternativa sustentável. Os estudos sobre os diferentes produtos para preservação de madeiras são abrangentes, e muitas alternativas eficazes e economicamente viáveis podem despontar destas alternativas e pesquisas ainda são necessárias, incluindo os aspectos ambientais e econômicos.

Título original: Alternativas sustentáveis de preservantes para madeiras de rápido crescimento utilizadas na construção civil: uma breve revisão

Kelly Bossardi Dias é Doutora em Engenharia, professora na Uniso. (E-mail: kelly.dias@prof.uniso.br)

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Ricardo Marques Barreiros é Livre-docente em Qualidade da Madeira, professor na Unesp. (E-mail: rmbarreiros@itapeva.unesp.br)

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