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Além Ponte, emoções a flor da pele

14 de Abril de 2020 às 00:01

Além Ponte, emoções a flor da pele Crédito da foto: Arte VT

Seguro a minha foto de aluno do Grupo Escolar Senador Vergueiro, com a lousa constatando a quarta série. Foi em 1968. Vou atrás dos nomes da turminha de alunos da classe. Quem será que estará lendo o artigo? Penso comigo, que o tempo passado até hoje, já levou muitos para o céu. O que me faz escrever sobre o Além Ponte nesta semana é a repercussão do último relato que fiz sobre o bairro. Foi mais de treze mil visualizações na página “Grupo Além Ponte-Sorocaba”. Os comentários superaram todas as publicações, com mais de quinhentas sugestões de lembranças de pessoas e comércio. Ailton Lanzar recordou do escritório do Edson Moncayo, um dos mais tradicionais que marcou o comércio do Além Ponte em suas contabilidades. Ailton trabalhou lá e fez questão de citar o consultório médico do Gualberto Moreira que ficava perto. Sobre o médico que foi prefeito de Sorocaba, recorda dele em frente a sua sala de atendimento ao lado do campo do São Bento. Fumava charuto e ia jogar sinuca no bar do Toninho Dal Posso. Gualberto Moreira construiu na sua gestão pública o Ginásio Municipal de Esportes no bairro, onde era a Igreja do Bom Jesus. Lembrança dos franciscanos, como frei Florêncio e frei Jorge, que por sinal me batizou no dia sete de abril, sendo os meus padrinhos Victória Testa e Antonio Modolo, avó e primo-irmão.

Jorda Ramos comentou que nasceu na rua Madri. Local que fascinou os seus pais e família. Ele continua morando no mesmo local há décadas. “O Além Ponte é uma paixão”, citou. E as palavras enviadas pela Miriam Torrente, são de recordação do bar Fluminense da sua tia Rosa e do Orlando, do Armazém do seu tio Nego-Estevão Mathiazzi, na esquina da Nogueira Padilha e Cel. José Tavares. Miriam é viúva do sargento Peralta, Pedro de Jesus Torrente, um policial que faz parte da história do bairro. Rose Roz é do Além Ponte e foi no bairro que nasceu e ficou até o seu casamento com o Marcos Neves. Ela recorda da entrega do leite e do pão diário na sua casa, pelo Armando Coló. O som da carrocinha puxada por cavalos, com aqueles baldes de leite fazem da infância da Rose, momentos de recordações inesquecíveis. Rose é irmã do ex-jogador e técnico Nei Roz do São Bento. No time dos veteranos o seu pai conhecido como Nego Roz. Neide Mello, filha e sobrinha dos proprietários do bar do Mello, certamente um dos mais lembrados da década de 60 por suas mesas de bilhar e lanches, escreveu no seu comentário que foi muito emocionante saber da história de sua família no comércio do bairro. Carlos Eduardo Tunucci citou a Farmácia São Domingos, do “seu” Domingos, um farmacêutico que abria o seu coração no atendimento aos moradores. A quitanda do Bartolo na esquina da Igreja do Bom Jesus, local de passagem dos alunos do Senador Vergueiro, foi um dos mais citados da rua Péricles Pilar, com a Madeireira Dini. Elaine Belote é uma das netas que destaca a avó na casa dessa rua. Na Nogueira Padilha, a loja Brasil, bar do Bi, casa Mathias, Armazém dos Rosas, Açougue do “Turcão”, loja do Menon, padaria do Gonçalo e até uma funerária. Um jovem de nome Vicente foi muito lembrado. Ele não perdia um enterro na época, indo a pé até o cemitério da Árvore Grande carregando o caixão do falecido, mesmo sem saber quem era. Emoção viveu também o Pedro Segura Neto ao relembrar do pai que o levou ao jogo do São Bento com o time do Santos FC. Na arquibancada de madeira, a poucos metros de distância viu o Pelé cobrando lateral. Seu avô, sapateiro com loja em frente ao estádio acompanhava os treinos do São Bento para torcer pelo filho Dida. Já o Willian Hannickel foi buscar na memória de mais de 50 anos a loja do Abido Abdala Haten e sua esposa Dana Rosa. Eles vendiam aviamentos. A família Hannickel com oficina de motores na rua Rui Barbosa com 70 anos de atividades é uma relíquia do bairro Além Ponte. Outro fato curioso lembrado é da autoescola da família Lopes, onde um dos filhos se formou como médico. Também havia na vizinhança, recorda Willian, o armazém da Cobal e a auto elétrica do japonês Nomura. Fato marcante para ele é ter morado perto da casa do padre Aluísio de Almeida. Sandra Cristina Momo recomendou na sua mensagem: “Vanderlei, não se esqueça de citar”, padaria Dalva, loja da Zefa, barbeiro Polido, salão do Zé Menino, com início na rua Granada, bar do Zico, dentista Marli Caldeirão. Havia também o Mário Piccini, Gui Coelho de Oliveira, Ari Sergio Gâmbaro, papelaria do Vitório e José Gambaro, Mercearia dos Galves e a Foto Guerra. Foi lá que sua irmã a levou para ser fotografada quando tinha sete anos de idade, isso há 58 anos. Arlete Moron Furlan se lembra da sua infância e da loja da Terezinha Nobuko, que confeccionava os vestidos mais lindos da cidade, segundo citou na mensagem. E com um detalhe: sempre tinha um cãozinho da raça pequinês em cima do balcão. E para ir encerrando este bloco de lembranças do bairro Além Ponte, Célio Hermelindo do Monte disse que não dava para se esquecer do João argentino, padeiro na antiga padaria do Santiago Vecina. Reinaldo Borges citou a loja Barulho dos Morros, o salão de beleza da dona Cida e as lojas do Elias José, sucesso na av. São Paulo que o tornou rico em tanto vender tecidos. Belmiro Franquis se lembrou da fábrica de ladrilhos Santa Terezinha. Na época em que Sorocaba implantou a calçada padrão, essa empresa revolucionou sua produção instalando os pisos padronizados no bairro e na cidade. Encerrando, a Fábrica de Tecidos Santa Maria, sob a direção do Paschoal Pólice. Nas fotos, os músicos do Tekila, o time do São Bento, campeão em 1962 e as crianças na rua Santa Maria na década de 1950.

Vanderlei Testa jornalista e publicitário escreve no jornal Cruzeiro do Sul e na rede social facebook artigos do Vanderlei Testa e blog vanderleitesta.com