Vanderlei Testa
As gerações do século 20 e os jovens de 2026
O Dia das Crianças, Dia do Professor, Dia da Padroeira do Brasil e Dia dos Médicos, celebrados em outubro, merecem ser lembrados pela população.
Afinal, educadores têm papel fundamental na formação das crianças e das futuras gerações de jovens. E os profissionais da saúde ajudam à nossa sobrevivência neste planeta. Cumprimentar o médico por essa data é reverenciar àquele que busca prever enfermidades e curar a dor de quem sofre.
A infância e a juventude de 2026, vive um tempo singular do século 21 — um período que convida à observação e à reflexão. O uso do celular. Basta percorrer os shoppings, acompanhar grupos nas redes sociais ou observar o cotidiano nas escolas para perceber as múltiplas formas de expressão dessa nova geração. Muitos jovens também iniciam cedo sua trajetória profissional como aprendizes, buscando contribuir com os próprios estudos. Foi o que me chamou a atenção na cena recente de uma jovem empacotando as compras em um caixa de supermercado para pagar os estudos.
Para aqueles que viveram a juventude no século 20, as experiências eram, em muitos aspectos, diferentes. Hoje, muitos com mais de 60 anos, recordam outra dinâmica de convivência: saíam, às vezes às escondidas, para festas; usavam a caminhada em amigos, como principal meio para ir à escola e cinemas; e, antes da chegada dos shoppings, concentravam os passeios aos domingos em praças públicas e bailinhos de garagem.
Em Sorocaba, um dos pontos de encontro era a Avenida Antônio Pereira Inácio, em uma lanchonete em frente à Faculdade de Medicina. Ali, entre caminhadas e encontros, surgiam amizades, olhares e paqueras. Sem celulares, a comunicação acontecia frente a frente e, já em casa, continuava em longas conversas pelos telefones fixos, revivendo os momentos do dia.
Pereira Inácio, exemplo que estudar dá certo
A história de Antônio Pereira Inácio é relatada pelo historiador Aluísio de Almeida, o Monsenhor Castanho, na biografia do conde Francisco Matarazzo.
Menino português, Antônio chegou a Sorocaba em 1884, aos dez anos de idade. Começou a trabalhar com o pai, em uma oficina de sapateiro, e aprendeu a ler e a escrever. Desde cedo, demonstrava ousadia e vocação empreendedora. Determinado a construir uma trajetória nos negócios, trouxe para Sorocaba uma prensa para a extração de óleo de algodão.
Antônio Pereira Inácio é um exemplo para a juventude do século 21 — embora muitos talvez o conheçam apenas pelo nome da avenida que hoje cruza uma das vias mais movimentadas de Sorocaba em direção ao bairro Campolim e ao Conjunto Hospitalar.
Ele chegou a ser proprietário da Sociedade Anônima Fábrica de Votorantim. Sob sua liderança, o grupo sucedeu o conglomerado Matarazzo como o maior grupo privado brasileiro.
Professoras de ensino espiritual
A iniciativa das professoras do grupo Jovens Rosálios, da Paróquia de Santa Rosália é um exemplo de ensino espiritual. Com o acompanhamento de suas catequistas orientadoras, os jovens organizaram uma peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida. Mais de 30 participantes, unidos por um propósito comunitário, embarcaram nessa jornada para antecipar a celebração do Dia da Padroeira do Brasil- Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro.
Foi uma experiência de alegria, convivência fraterna e fortalecimento de vínculos — um retrato de uma juventude que também busca sentido, fé e amizades saudáveis, relatou uma mãe de adolescente ao desembarcar em Sorocaba.
Em contraste com essa peregrinação, surgem notícias preocupantes sobre os "pancadões" dos rachas de motos e carros. Em alguns desses eventos, o volume excessivo, músicas com pouco conteúdo cultural e a presença de drogas e bebidas podem criar ambientes de risco de vida. Também preocupam os episódios de violência e vandalismo envolvendo jovens de torcidas organizadas que defendem seus times por meio de agressões. Situações como essas desafiam a construção de uma geração orientada pela fraternidade, pela educação e por perspectivas de futuro, como o acesso ao ensino superior e a construir a sua carreira.
Entre tempos distintos, séculos 20 e 21, separados por décadas e profundas transformações, permanece um elo comum: a juventude é uma fase de descobertas, desafios e construção de caminhos. Escolher o percurso do bem sempre traz resultados positivos.
Mais do que comparar gerações, porém, o desafio dos pais é compreender e orientar. Em uma sociedade marcada pelo imediatismo, pela tecnologia e, muitas vezes, pelo materialismo, torna-se essencial cultivar valores que não envelhecem: respeito, fé, convivência familiar, educação e propósito.
A juventude de 2026 não é melhor nem pior: é fruto de seu tempo. Por isso, como todas as gerações, precisa de referências sólidas para transformar potencial em futuro, sonhos em realidade e liberdade em responsabilidade.
Compreender e orientar filhos e netos, crianças e adolescentes, é o começo de toda transformação.
Vanderlei Testa, jornalista e escritor