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João Alvarenga

Juridiquês de malandro (Elementos de coesão na prática)

"O tom ameaçador, com trocas de farpas entre os membros da corte, conferiu ao plenário do STF um clima de botequim"

08 de Outubro de 2026 às 20:46
plenário do STF
plenário do STF (Crédito: DEPOSITPHOTOS)

Conforme prometido, anteriormente, em que falei sobre progressão temática, focarei, aqui, os elementos de coesão textual, que serão destacados, ao longo do texto abaixo. Logo abaixo, alguns deles serão explicados. Para isso, vamos supor que o tema da redação fosse uma análise da reunião do STF, em setembro, na qual os ministros deveriam decidir se abririam ou não uma investigação contra Alexandre de Moraes, por conta de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Observe o exemplo:

Em tese, a maioria sabe que a linguagem deve ser adaptada ao ambiente em que o cidadão se encontra, a fim de que a mensagem transmitida seja assimilada pelo interlocutor. Assim, é incompatível irmos à praia de smoking ou à missa em trajes íntimos. Trata-se de uma questão de etiqueta. Também esperamos um comportamento impecável de quem ocupa um cargo público, seja nas três esferas do poder; afinal, precisam dar exemplo à sociedade, principalmente, aos mais jovens.

Todavia, quem assistiu, pela TV, à fatídica sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 15 de setembro, ficou aborrecido com o que viu, pois os ministros tocados, ao defenderem suas convicções (mais ideológicas do que constitucionais), perderam a compostura, com gestos inadequados e um linguajar chulo, que mais parecia "Juridiquês de Malandro". Ou seja, algo incompatível com o cargo que ocupam. Inclusive, o tom ameaçador, com trocas de farpas entre os membros da corte, conferiu ao plenário do STF um clima de botequim. Ademais, o embate evidenciou que há uma evidente diáspora entre os magistrados que as togas não mascaram.

Por conseguinte, a sociedade fica à mercê da insegurança jurídica, uma vez que o engajamento ideológico de alguns ministros evidencia a completa ausência de neutralidade em suas ações. Ou seja, no afã da defesa de uma democracia, que muda ao sabor do vento, alguns togados atropelam a própria Constituição em detrimento da efetiva justiça. Esse ambiente, em que a vaidade fala mais alto, compromete a legalidade das sentenças, uma vez que decisões monocráticas se sobrepõem aos atos do colegiado.

Portanto, fica evidente que os recentes atritos mostram a fragilidade de um sistema que precisa passar por uma ampla reforma jurídica, a começar pelo fim da vitaliciedade aliada ao fim da indicação exclusiva do presidente dos membros do Supremo...

Atenção: o texto acima está inconcluso, porque se trata apenas de um exemplo prático de como utilizar os conectivos na dissertação do ENEM. Agora, observe a explicação de alguns elementos destacados acima:

1) Em tese - usado na abertura do 1º parágrafo, pode ser entendido como: 'teoricamente' (porque se trata da defesa de uma teoria);

2) Todavia - presente no 2º parágrafo, traduz uma ideia de oposição ao que foi dito anteriormente;

3) Ademais - usado para expressar ideia de adição de novos argumentos ao texto. Pode ser entendido como 'além disso';

4) Por conseguinte - no caso do Enem, aparece sempre no 3º parágrafo para indicar que houve uma consequência do problema focado na tese;

5) Portanto - presente no último parágrafo, sempre indica a finalização do texto, como forma de fechar um raciocínio lógico.

Até o próximo encontro!

(*) João Alvarenga é professor de Redação.

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