Marcelo Augusto Paiva Pereira
Desmatando o Matadouro
Desmatando o Matadouro dará vida nova a ele
O edifício do Matadouro Municipal, erguido em 1928 no estilo inglês, desativado desde 1975 e relegado ao abandono, tem sido objeto da proposta de reutilização, apoiada pela Câmara Municipal de Sorocaba, o qual poderá ser convertido em um Parque das Artes. Seguem abaixo alguns comentários.
A proposta apresentada busca recuperar o edifício do Matadouro e dar novo uso, sob o respaldo das doutrinas de preservação e restauração dos bens históricos, ensinadas nas faculdades de arquitetura e urbanismo.
Providência salutar, poderá ter mais atribuições além dessa. Mencionado edifício pode ser destinado a um "retrofit" e servir de Museu da Biodiversidade da Mata Atlântica, com exemplares vivos e outros, representados por imagens e vídeos. Neste contexto, vídeos de entrevistas com profissionais da área (biólogos, por exemplo) podem contribuir para enriquecer o acervo da vegetação exposta.
Outros edifícios podem ser construídos (em estilo arquitetônico atual) ao redor, sem prejudicar o do Matadouro, os quais servirão para lanchonetes, restaurantes, lojas de artigos sobre a biodiversidade e, também, espaços para exposições artísticas e apresentações teatrais.
Quanto às refeições e lanches oferecidos, podem ter opções veganas (bifes de soja, por exemplo), além das tradicionais. Os cardápios deverão ser diversificados, para atender a todos os públicos.
Quanto às lojas, estas devem promover o meio ambiente natural, com artigos (ou bens) produzidos com materiais que não o agridam, numa campanha de acolhimento à sustentabilidade da Mata Atlântica e da vegetação local.
Os espaços para exposições artísticas também deverão promover as que tragam aos visitantes alguma mensagem em benefício da natureza, sejam na forma de desenhos, fotografias, pinturas, xilogravuras, vídeos, instalações etc.
Os espaços para apresentações teatrais deverão acolher diversas peças, inclusive infantis, para atrair as crianças ao museu e aprender sobre o meio ambiente natural e o respeito à biodiversidade. A instituição mantenedora do referido poderá convidar as escolas municipais para visitar periodicamente o museu e ensinar as crianças sobre a Mata Atlântica.
Os estacionamentos deverão ser distribuídos ao redor dos edifícios, sem prejuízo da movimentação de pessoas, de modo a favorecê-las quanto à acessibilidade aos espaços em geral.
Conclusivamente, o edifício do Matadouro Municipal e a área correspondente podem ser recuperados, inclusive por "retrofit", para dar espaço ao sugerido museu e às atrações e atividades correlatas, com o escopo de preservar a biodiversidade local (Mata Atlântica), chamar o público para conhecê-la e ensinar as crianças a defender o meio ambiente natural e respeitar a biodiversidade. Por fim, desmatando o Matadouro dará vida nova a ele. Nada a mais.
Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.