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João Alvarenga

A redação ideal (parte 2)

Desculpe-me pelo clichê, mas o ponto de partida, nesse caso, é a leitura

21 de Agosto de 2026 às 23:44
Cruzeiro do Sul [email protected]
Estudante fazendo uma redação
Estudante fazendo uma redação (Crédito: MAGNIFIC)

Estimado leitor, conforme prometi, anteriormente, neste artigo darei sequência à abordagem sobre como fazer uma boa redação nos vestibulares/Enem. Desta vez, passarei, aqui, algumas dicas de como construir seu "banco de argumentos". Se, no artigo anterior chamei a atenção para textos vazios, no enfoque de hoje destaco a importância de ter um bom repertório, a fim de não só garantir maior consistência à defesa da tese, mas principalmente convencer a banca de que você, realmente, está ciente do tema. Mais do que isso, tem uma opinião formada sobre o assunto proposto e, no caso do Enem, é capaz de formular uma solução pragmática - que respeita os Direitos Humanos - para a questão levantada.

Talvez, você esteja em dúvida se tem ou não um bom repertório. Desculpe-me pelo clichê, mas o ponto de partida, nesse caso, é a leitura. Pergunto: como está o seu nível de leitura? Qual o último livro que você leu? É capaz de fazer uma síntese dele?

Guarde isto: sem a prática da leitura, o candidato fica sem argumentos na hora de escrever. E, quando falo em leitura, não me refiro, necessariamente, só aos clássicos. No fundo, o candidato precisa ter uma "leitura de mundo". Ou seja, estar "antenado" à realidade que o cerca, sair um pouco da seletividade que o envolve numa "bolha", na qual ele só se conecta aquilo que o interessa. Esse comportamento não é muito produtivo para quem deseja fazer bons textos.

Afinal, uma notícia de jornal, uma reportagem na TV ou um documentário também ajudam nessa hora. Por quê? Simples: sem isso, a redação fica esvaziada de senso crítico. Como disse, no artigo anterior, sem bagagem, o candidato corre o risco de fazer um mero relatório sobre o tema, sem o mínimo de aprofundamento ou posicionamento crítico.

Às vezes, a pessoa até dá conta de escrever a qualidade de linhas que a prova exige; mas, infelizmente, o texto faz uma única referência que seja - de um livro, filme ou série - que tenha alguma relação direta com o tema proposto pela banca. Saiba que isso ajuda (e muito) na composição final da nota. Quem sabe você deva estar se perguntando: como faço para compor o meu repertório?

Particularmente, desde a minha adolescência, eu tenho um hábito: anoto tudo o que acho impactante, com a convicção de que um dia eu usarei tal informação em algum texto. Quando estou lendo, eu faço várias anotações às margens do livro, destaco trechos inteiros da obra, com uma caneta apropriada para isso. Muita gente acha isso estranho, mas é assim que eu "dialogo" com o autor. É desse modo que me aproprio daquilo que está escrito. Por isso, prefiro material impresso.

No caso de filmes e séries, quando ouço uma frase que me toca, congelo a cena para anotá-la. Aliás, eu tenho um caderninho só para isso, que chamo de "anotário". Outra dica: independente de seu professor pedir ou não, faça, no mínimo, uma redação por semana. Escolha um tema e defina o gênero (Fuvest/Enem). O ideal é treinar muito, pois isso ajuda a "destravar" a criação e, com isso, você ganha ritmo na escrita. Assim, você estará em forma no dia do grande desafio. Tema do próximo artigo: progressão temática. Até lá!

João Alvarenga é professor de Redação.