Adilson Cezar
Dom Aguirre, como valorizar?
Há certamente diversas figuras que fazem parte da História de Sorocaba, que marcaram época e exerceram expressivas lideranças em seus setores e certamente refletindo em outras áreas. Recentemente, fomos alertados, pelo nosso "esquecimento" do importante monumento em homenagem ao nosso Primeiro Bispo Diocesano, Dom José Carlos de Aguirre. Anote-se, não houve de nossa parte esquecimento, assim como também não evidenciamos muitos outros que também devem ser devidamente exaltados pela nossa população. Cada qual em seu momento e circunstâncias especiais. A sua ausência é porque no calendário Sorocaba Rasgada, 2026 - nosso objetivo era que cada cidadão, homens de bem, observassem a degradação com que essas lembranças são tratadas e em sendo de apenas doze meses o nosso ano, ativemo-nos a esse limite. Não houve apanágios aos citados, nem desvantagens, com os inúmeros ausentes... Aliás tivemos o privilégio de ainda criança, conhecê-lo e conversar com essa notável personalidade. Pessoa que nos transmitiu ao mesmo tempo o contraste entre a seriedade da autoridade e a serenidade do trato afável. Como residíamos nas proximidades da Diocese que ficava na rua XV de Novembro e nós na rua Brigadeiro Tobias, quase em frente à então Prefeitura Municipal de Sorocaba e por ali ele sempre transitava. Atravessávamos a rua e conforme o costume da época, nos dirigíamos ao "bom velhinho", para cumprimentá-lo, beijar-lhe as mãos e pedir sua benção. Coisas de outrora! Talvez... mas portadora de grande significado. Era o respeito à representação. Sorocaba deixa seu nome gravado em letras de ouro, em uma de nossas principais avenidas, existe uma unidade escolar que leva o seu nome, embora por razões talvez de profissionais de comunicação, o Aguirre praticamente desapareceu - tornando-se apenas Colégio "Dom", a mantenedora o conserva. Lembranças e registros, pelo menos para a nossa geração são múltiplos e quiçá sua memória se perpetuará, refletindo suas obras e envolvimentos diversos. Mas não vamos adentrar em detalhes específicos, pois nosso interesse neste momento, está voltado à preservação de seu também degradado monumento - e certamente não o foi ainda mais aviltado, é porque o mesmo é uma escultura de pedra e não o desejado bronze. De qualquer forma interpelados sobre a sua ausência e sugerindo que incentivássemos a recuperação do logradouro, bem como a tornássemos mais visível, uma vez que as árvores cresceram e a esconde no interior da rotatória da avenida que leva o seu nome.
Concordamos, com a propositura de que o mesmo precisa receber uma estrutura mais concisa e devemos elevá-lo ou traze-lo a visibilidade, sem, entretanto, conspurcar o meio ambiente pelo corte das árvores. Podemos sim e devemos realizar no local um trabalho de realce, unindo essas contingências e dando a este esse destaque especial. Na conversa, destacou-se que compete à Prefeitura a realização desse trabalho. Concordamos, mas ao mesmo tempo não acreditamos que isso venha a acontecer. Tudo estaria com facilidade resolvido e solucionado de maneira satisfatória. Entretanto, mesmo assim colocamo-nos em campo para sugerir algumas opções, como a da adoção dessa praça por parte de alguma entidade com capacidade econômica para realizar a sua manutenção. Outro colocou o problema, que se reinstalar uma placa de bronze, por quanto tempo a mesma vai perdurar? Acreditamos isso pode ser resolvido de maneira bastante simples, basta deixarmos na praça, um local vago, para que a Polícia Militar, ou a Guarda Civil Municipal, permanentemente mantenha ali uma viatura. Asseguramos assim o "útil ao agradável".
Imaginem, em local de destaque, na rotatória "Dom Aguirre", emergente entre as árvores frondosas, devidamente exaltada por uma iluminação adequada e em seu plano a permanente guarda, vigiando e impondo respeito aqueles que trafegam por uma das vias mais importantes de nossa cidade. Dando asas a imaginação, é o carismático Dom Aguirre, que esparrama suas benesses aos pontos mais longínquos de nossa cidade. Visão com conteúdo bastante dramático, mas que reflete a realidade que uma época, coincidindo com o trabalho desenvolvido por esse ilustre patrono. A possibilidade existe, ... e não se trata apenas do âmbito de financeiro, pois se a Prefeitura - a quem deve essa responsabilidade, não deseja assumi-la, quem sabe possa buscar uma entidade que se disponha a patrociná-la. E como é previsível, não basta investir e concluir a obra. É fundamental que se preveja a sua preservação. A conjugação de esforços pode e deve possibilitar essa realização. Quem sabe a iniciativa por parte da Prefeitura, projeto e realização, uma fundação, entidade ou simplesmente mantenedora para assegurar sua preservação e a segurança devidamente instalada pela permanente vigilância de nossos policiais? A imaginação e a colaboração, ficam por conta da nossa GIA União Cultural - opinar é gracioso, já optar pela realização, são coisas diferentes. Temos pleno conhecimento desse detalhe, que é fundamental. Iremos ou não tomar atitudes, fizemos a nossa parte, marcamos nosso posicionamento diante de nossa História. Alea jacta est (a sorte está lançada).
Adilson Cezar é acadêmico emérito da Academia Sorocabana de Letras; presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba; e membro do Conselho Superior da GIA União Cultural.