Vanderlei Testa
Somos todos iguais no tempo da vida
Aprendi, ao ler uma reflexão sobre o tempo, como somos todos iguais. Apesar das diferenças de horários entre os diversos fusos espalhados pelo planeta, o mundo está conectado de forma instantânea pela tecnologia da comunicação. Hoje, uma notícia atravessa continentes em segundos. Uma mensagem enviada de um celular do Polo Sul, pode chegar imediatamente a alguém que está do outro lado no Polo Norte. Enquanto isso, os ponteiros do relógio seguem sua trajetória silenciosa, marcando segundos, minutos e horas que orientam a rotina da humanidade.
O tempo é um dos poucos elementos verdadeiramente democráticos da vida. O rico e o pobre, o jovem e o idoso, o governante e o cidadão comum recebem as mesmas 24 horas por dia. Ninguém consegue comprar mais tempo nem guardar minutos para utilizá-los depois. Todos convivemos com a mesma medida, embora cada pessoa faça dela um uso diferente.
Nos jogos da Copa do Mundo, transmitidos pela televisão e pelas redes sociais, os horários das partidas são aguardados por milhões de torcedores. O povo brasileiro se mobiliza com criatividade para acompanhar cada confronto da Seleção. Durante os 90 minutos de jogo, emoções se alternam entre esperança, alegria, ansiedade e sofrimento. O relógio avança e cada segundo parece ganhar um significado especial no pulsar do coração dos torcedores.
A frase que inspirou esta reflexão diz: "O tempo é a única conta em que você recebe um crédito quando nasce; todo o resto é débito, e você não tem acesso ao saldo."
Essa afirmação contém uma profunda verdade. Cada pessoa sabe o dia, o mês e o ano em que nasceu. Essas informações permanecem registradas para sempre em sua certidão de nascimento. Da mesma forma, o atestado de óbito registra o encerramento da caminhada terrena. Entre uma data e outra — nascimento e morte — existe uma história inteira de sonhos, conquistas, alegrias, dificuldades, encontros e despedidas.
Quando recebemos o dom da vida, não sabemos quantos minutos estarão disponíveis em nosso cronômetro existencial. Esse segredo pertence somente a Deus. Nenhum ser humano descobriu a fórmula capaz de calcular a duração da própria existência. Não temos acesso ao saldo da conta do tempo. Talvez por isso devêssemos agradecer mais por cada amanhecer e valorizar cada oportunidade de respirar, conviver e viver.
Muitas vezes corremos contra o tempo. A agenda está cheia, os compromissos se acumulam e as preocupações parecem ocupar todos os espaços. Buscamos bens materiais, metas profissionais e resultados imediatos. Entretanto, o tempo
nos ensina diariamente que algumas das coisas mais importantes da vida não podem ser compradas.
Estar com a família, receber o abraço de um filho, contemplar o sorriso de uma criança, conversar com amigos, fazer uma oração silenciosa de agradecimento ou estender a mão a quem precisa são experiências cujo valor não pode ser medido em dinheiro. São riquezas que apenas o tempo bem vivido é capaz de proporcionar.
Ao longo da vida, acumulamos bens, títulos, diplomas e conquistas profissionais. Tudo isso tem seu valor e merece reconhecimento. No entanto, quando olhamos para trás, percebemos que as lembranças mais preciosas raramente estão ligadas ao patrimônio que construímos. Elas costumam estar associadas aos momentos compartilhados, aos abraços recebidos, às palavras de incentivo, às amizades cultivadas e aos gestos de amor que marcaram nossa caminhada.
As Escrituras Sagradas nos apresentam uma esperança. O tempo existe para organizar nossa passagem pela Terra, mas a fé nos convida a olhar para além dele. A vida eterna, prometida por Deus, ultrapassa os limites dos minutos, das horas, dos dias e dos anos. É uma realidade que não se mede pelo relógio humano, mas pela plenitude do Céu.
Por isso, a grande lição do tempo é viver o presente com sabedoria. O passado já nos deixou suas lembranças e ensinamentos. O futuro pertence a Deus. O hoje é o único tempo verdadeiramente disponível para nossas escolhas.
O que você tem feito com o seu tempo?
Que cada minuto seja vivido com gratidão, amor e consciência. Que saibamos aproveitar os momentos simples, valorizar as pessoas que caminham ao nosso lado e cultivar a paz interior.
Diante do relógio da vida, somos todos iguais. O que permanece não é o tempo que tivemos, mas o amor que deixamos em cada minuto vivido.
Vanderlei Testa é jornalista e escritor.