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Celso Ming

O avanço do Pix e seu impacto

25 de Maio de 2026 às 22:44
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Criado pelo Banco Central (BC) em 2020, (o Pix) popularizou-se como opção pública e gratuita de transferências e pagamentos instantâneos no País
Criado pelo Banco Central (BC) em 2020, (o Pix) popularizou-se como opção pública e gratuita de transferências e pagamentos instantâneos no País (Crédito: MARCELLO CASAL JR. / AGÊNCIA BRASIL)

O Pix virou elefante e já incomoda muita gente, especialmente as administradoras de cartão de crédito ou débito, que todos os dias perdem espaço no mercado. Seus lobbies vêm pressionando o governo Trump a impor represálias ao Brasil, pelo “comportamento desleal” produzido pela prática do Pix.

Em 2025, movimentou R$ 35,6 trilhões, crescimento de 33,6% quando comparado com os dados de 2024. Isso já dá uma boa ideia do tamanho do elefante.

Criado pelo Banco Central (BC) em 2020, popularizou-se como opção pública e gratuita de transferências e pagamentos instantâneos no País.

Desde sua criação, passou por atualizações. Entre elas, estão a adoção do Pix automático para pagamento de contas recorrentes e a do Pix agendado, que permite a escolha de data e destinatário do pagamento.

O Pix dispensou o uso de cheques, que exigem compensação, devolução dos preenchidos incorretamente e dos sem fundos — os quais impõem altos custos de operação. E vem substituindo operações com TEDs, boletos bancários e cartões de crédito, na medida em que passou a permitir pagamentos parcelados.

Um dos seus maiores efeitos positivos foi a intensificação da bancarização. Como as pessoas reduziram substancialmente o uso de dinheiro vivo, até quem não queria teve de abrir conta bancária. Em abril, o BC relatou que mais de 96% da população adulta no País tem conta bancária ou conta de pagamento. Em 2019, antes do Pix, a bancarização não passava dos 55%. Levantamento do Google aponta que, de 2019 a 2024, a porcentagem de brasileiros que usavam cédulas e moedas como forma de pagamento despencou de 43% para 6%. Em relatório divulgado em abril, o BC mostrou que os saques nas modalidades tradicionais seguem em queda. No segundo semestre de 2025, caíram 13,8% em relação ao segundo semestre de 2024.

A novidade pode se transformar em artigo de exportação. Em publicação na rede social X, antigo Twitter, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, recomendou a adoção do modelo brasileiro ao seu país. Hoje, é possível utilizar o Pix em pagamentos por QR code em estabelecimentos da Argentina, do Paraguai, da França e de Portugal.

É preferência que vem gerando mudanças nos hábitos financeiros. Para evitar despesas com o uso das maquininhas de cartão, as lojas começaram a oferecer descontos para quem paga via Pix.

Questão ainda não resolvida é a da sonegação. Quando feitos por Pix, os pagamentos realizados por prestações de serviço têm ignorado a emissão de notas fiscais e, nessas condições, deixam de recolher impostos.

Mas é elefante que já virou manada e tomou os espaços.

Celso Ming é jornalista e comentarista de economia. Colaborou Geovana Bosak.