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Arnaldo Nardelli Ferreira

Perspectiva de vida: trabalho, juventude e o futuro que estamos construindo

19 de Maio de 2026 às 20:53
Cruzeiro do Sul [email protected]
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. (Crédito: FREEPIK)

Cada vez mais empresários, de diferentes setores — indústria, comércio e prestação de serviços — relatam a mesma dificuldade: a falta de mão de obra. Segundo eles, os jovens demonstram pouco interesse pelo emprego formal, pela carteira assinada e pela rotina tradicional de trabalho. Em contrapartida, cresce o número de jovens que apostam nas redes sociais, como Instagram e TikTok, na esperança de ganhar dinheiro e alcançar uma vida melhor.

Essa mudança de comportamento levanta uma pergunta importante: o problema está apenas na falta de interesse dos jovens ou na falta de perspectivas que o trabalho formal oferece hoje? Muitos jovens parecem não enxergar futuro em salários baixos, jornadas longas e poucas chances de crescimento. Ao olhar para a realidade dos pais — anos de trabalho duro, endividamento e dificuldades — concluem que esse caminho talvez não valha a pena.

As redes sociais surgem, então, como uma “chance de ouro”. A promessa é sedutora: ganhar dinheiro, comprar uma casa, ter carro, conforto e liberdade. No entanto, essa é uma realidade para poucos. A grande maioria não terá sucesso financeiro nesse meio, mas continua tentando, alimentada por exemplos isolados que ganham grande visibilidade.

Enquanto isso, empresários são forçados a buscar alternativas para suprir a escassez de trabalhadores. A automatização aparece como solução lógica e eficiente — e já é uma realidade. Hoje, há padarias, mercados e outros estabelecimentos com atendimento e cobrança totalmente automatizados. Isso é, sem dúvida, sinal de modernidade, eficiência e redução de custos.

Mas é preciso refletir sobre os impactos sociais desse processo. As pessoas que antes ocupavam essas funções precisarão se reinventar, buscar novas qualificações e novas oportunidades. A pergunta que fica é: terão tempo e condições para isso antes que o desemprego e o endividamento as alcancem? Estarão preparadas para mudar de função em um mercado cada vez mais exigente?

A transição não é simples. Pessoas endividadas e sem renda acabam pressionadas a buscar qualquer forma de sobrevivência. Isso pode levar muitos a apostar em jogos, promessas fáceis de dinheiro ou até mesmo a caminhos ilícitos. O risco social é real e não pode ser ignorado.

No passado, dizia-se que o jovem não queria estudar. Hoje, muitos afirmam que o jovem não quer trabalhar. Talvez o problema não seja apenas falta de vontade, mas um modelo de trabalho que já não dialoga com os sonhos, as expectativas e a realidade econômica atual. Pensar sobre isso é urgente, antes que a distância entre progresso tecnológico e inclusão social se torne grande demais.

Arnaldo Nardelli Ferreira é advogado.