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Marcelo Augusto Paiva Pereira

O farol de Alexandria

30 de Março de 2026 às 21:30
Cruzeiro do Sul [email protected]
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. (Crédito: WIKIMEDIA COMMONS)

Uma das sete maravilhas do mundo antigo, o Farol de Alexandria foi construído em 280 a.C. na ilha de Faros, a oeste do delta do rio Nilo, após a morte de Alexandre Magno em 323 a.C. na Babilônia, quando seu reino foi dividido entre os generais em Egito Ptolomaico, Império Selêucida, Macedônia e Reino de Pérgamo.

Referido Farol sinalizava a entrada do porto de Alexandria, cujo acesso era temerário devido aos rochedos existentes nas proximidades, que causavam acidentes por vezes fatais à tripulação e gravosos danos às embarcações que para lá navegavam.

O projeto e construção demoraram doze anos, entre os reinados de Ptolomeu I (Sóter) e de Ptolomeu II (Filadelfo). Foi Sóstrato de Cnido, arquiteto e engenheiro, que projetou uma base quadrada amuralhada sobre a qual ergueu aquele edifício; este era tripartido, do qual a primeira parte era quadrada, a segunda, octogonal e a terceira, cilíndrica.

Ao redor da mencionada base estavam os edifícios da administração, do armazém (estocava madeira, esterco seco de animais e óleo para combustível à fonte luminosa), estábulos, dormitórios e refeitórios dos funcionários que protegiam o Farol. Quanto a este, a parte cilíndrica continha a permanente chama acesa e o espelho côncavo, de bronze polido, que refletia a luz, visível distante de 50 quilômetros dos navegantes.

A primeira parte do edifício era a maior, tinha aproximadamente 30 metros de lado, enquanto as demais tinham medidas menores até atingir o topo, onde havia uma estátua do deus Poseidon (ou de Zeus). A altura total era de aproximadamente 137 metros, dez a menos que a Pirâmide de Quéops, então o edifício mais alto do mundo antigo.

Foi construído com diversos blocos de pedra e sua base era revestida de uma liga de chumbo com calcáreo e resina, para protegê-lo da água do mar. O Farol foi cunhado em moedas de Alexandria, ao tempo dos imperadores romanos Adriano, Antonino Pio e Cômodo, e desenhado em mosaicos medievais. Terremotos em 956, 1303 e 1323 o reduziram a ruínas. Em 1480 o sultão Qaitbay fez uso de muitas das pedras remanescentes para construir uma cidadela (ou fortaleza) na base onde existiu aludido Farol.

Conclusivamente, o Farol de Alexandria foi fundamental à navegação no período em que existiu e simbolizou o poder político do período ptolomaico do Egito. Serviu de guia marítimo e espiritual e moveu economias, mas sucumbiu às forças destrutivas da natureza. A História, porém, trouxe-o ao presente com a memória daquele período para a humanidade e iluminar os caminhos das transformações das civilizações e culturas. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista

Nota da Redação: Gravura de Fischer von Erlach (1656-1723) retrata o Farol de Alexandria em todo o seu esplendor