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Antonio Luiz Pontes

Teoria dos Balões

03 de Fevereiro de 2026 às 21:00
Cruzeiro do Sul [email protected]
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. (Crédito: REPRODUÇÃO)

Implantar planos de melhoria para qualquer finalidade, mesmo as mais corriqueiras, exige conhecimento a respeito do objetivo a ser alcançado. Empresas, famílias e sociedades — enfim, qualquer organização humana — podem ser identificadas como “balões” que dependem, para alçar voo, da eliminação das impurezas que alimentam suas respectivas aeronaves. Nesse sentido, problemas estruturais devem ser solucionados, impreterivelmente, antes de qualquer início de operação.

O maior desafio é identificar a presença de elementos externos que chamaremos de “chumbo”: o material pesado que impede o deslocamento e mantém o balão no chão, ainda que esforços coletivos tentem, a todo custo, sustentá-lo no ar. Esse bloco de “chumbo” pode ser composto por lideranças incapacitadas, funcionários despreparados ou pessoas não comprometidas com os objetivos da organização.

Nas famílias, o “chumbo” manifesta-se em pais sem as qualificações necessárias para prover valores, respeito e confiança, ou em filhos que desprezam propósitos de melhoria por simples incompreensão de suas necessidades. Ligadas a essa “tropa de choque”, as fragilidades dos processos, o desconhecimento do todo, o despreparo técnico, a falta de compromisso com resultados e a dificuldade de assimilar mudanças aumentam o estoque desse material pesado. O resultado é uma insuficiência matemática para alçar o voo desejado.

O cenário do esgotamento

O balão, cada vez mais volumoso e pesado, acaba por explodir. O gás se mistura à atmosfera e se dissipa, enquanto os pedaços de lona e chumbo representam o triste fim de uma história que levará anos para se degradar na natureza, conspurcando as aspirações de todos. Esse é o cenário mais trágico: o fim sem retorno.

Entretanto, se houver condições para a produção de gás hélio em quantidade suficiente para evitar o estouro da estrutura e, concomitantemente, uma força-tarefa empenhada na retirada do chumbo e na eliminação de suas causas, haverá sempre como reverter a situação. Assim, é possível renovar sonhos e permanecer no mundo dos bem-sucedidos.

Esta é a finalidade de um plano de melhorias: identificar problemas e traçar estratégias para elevar o balão ao céu, equilibrando as forças operacionais, gerenciais e humanas disponíveis. Os problemas (o chumbo) sempre estarão à espreita; o desafio é mantê-los em níveis baixos para propiciar a todos os benefícios conquistados.

Sugestões para o plano de ação

Como enfrentar esses desafios deve ser discutido à exaustão com a equipe. Podemos resumir a aplicação prática com as seguintes diretrizes:

* Escolha o grupo certo: Entre ser um cilindro de gás hélio ou um emissor de poluentes, faça com que a equipe compreenda que a opção inteligente é participar do primeiro grupo.

* Ofereça suporte: Garanta condições para o engajamento através de conhecimento, informação, reciclagem, treinamento e confiança.

* Agilidade na solução: Problemas devem ser resolvidos imediatamente. A postergação ou o deixar-se levar pela emoção pode resultar em arrependimento futuro.

* Proteja o projeto: Não deixe “lobos” vigiando seus “cordeiros”; afaste as influências negativas antes que elas destruam suas pretensões.

* Identifique competências: Bons produtores de gás hélio facilitam o dia a dia da gestão.

* Tolerância zero com a ineficácia: Corte o mal pela raiz. Gente ineficaz e “elefantes brancos” não devem ocupar seu espaço.

* Objetividade: Prepare um plano possível de ser cumprido e estabeleça claramente os objetivos. Transforme o processo em um mecanismo que identifique o nível de comprometimento dos participantes.

* Valorize o hélio: A “turma do gás hélio” representa a diferença entre o fracasso e o sucesso. É fundamental tê-los por perto.

Conscientize-se de que valores sólidos proporcionam qualidade de vida e são agentes de transformações espetaculares. Com preparo, audácia, resistência, persistência e foco, a sorte sorrirá e você conquistará o seu céu.

Antonio Luiz Pontes é presidente da Academia Sorocabana de Letras e membro do Conselho Superior da GIA — União Cultural.

Nota da Redação: O balão que ilustra o artigo de Antonio Luiz Pontes está cheio de hélio, utilizado para suspender uma espécie de cesto no qual algumas pessoas podem aproveitar a altura para apreciar a vista. Este tipo de uso é possível pois o hélio é um gás leve e por isso possibilita uma boa flutuabilidade. O gás hidrogênio poderia ser melhor para este tipo de aplicação, mas devido a sua inflamabilidade seu uso nestas situações é evitado. A foto registra um modelo de balão desenvolvido pela empresa AeroBaloon. Imagem sob licença Creative Commons (by-nc 2.0), via kendoman26. (Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle, da Universidade Federal do Pampa).