Luiz Antonio Guimarães Brondi
Outubro Rosa - Rastreamento e diagnóstico do câncer de mama
O câncer de mama se caracteriza pelo crescimento desordenado de células, resultante de alterações do código genético. É responsável por cerca de 20% da incidência de câncer entre as mulheres e por 14% do total de mortes associadas às neoplasias. É previsto, atualmente, o diagnóstico de mais de dois milhões de novos casos por ano em todo mundo, com aproximadamente 750 mil mortes anuais em consequência desta doença.
Países do hemisfério norte como Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Suécia, Noruega e outros, têm apresentado um aumento na incidência do câncer mamário, mas ao mesmo tempo, acompanhado de uma redução da mortalidade pela doença. Isto está relacionado à detecção precoce do tumor pela realização da mamografia, com rastreamento diagnóstico e tratamento adequado. Ao contrário, no Brasil, o aumento da incidência, tem sido acompanhado pelo aumento da mortalidade, sendo isto atribuído ao retardo no diagnóstico, pois a descoberta da doença na maioria dos casos, é feita pela própria paciente, com a utilização do autoexame das mamas e, principalmente, na demora para iniciar um tratamento adequado, embora tenhamos aqui todos os meios para realizá-lo. Sabemos que, para a maioria dos tumores, a progressão e disseminação metastática (à distância), está intimamente relacionado ao tamanho do tumor no momento do seu diagnóstico. Por isso é que a detecção precoce representa um papel importante para o controle desta doença pois, na fase inicial do câncer, teremos a oportunidade de oferecer um tratamento mais seguro, eficaz e menos agressivo, com prognóstico de sobrevida mais elevado e com melhor qualidade de vida.
O rastreamento do câncer de mama continua a ser discutido, com diferentes diretrizes entre vários países. Assim, enquanto no Reino Unido e Canadá, muitas províncias ainda oferecem a mamografia às mulheres entre 50 a 74 anos de idade, muitas vezes, a cada dois anos, aqui entre nós, como também nos Estados Unidos, é recomendada a mamografia anualmente, iniciando-se aos 40 anos, continuando até os 75 anos de idade para aquelas mulheres assintomáticas e sem nenhum antecedente familiar de câncer mamário. Isto é o que determina a Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Embora o aparecimento do câncer mamário esteja cada vez mais presente entre mulheres mais jovens (abaixo de 40 anos), temos observado um aumento da incidência deste tumor entre mulheres mais idosas, acima de 70 anos de idade; isto é devido ao aumento da expectativa de vida entre elas. Embora o câncer de mama entre estas últimas, seja bem menos agressivo do que entre as mais jovens. No Brasil, é previsto para os anos 2025—2026, o diagnóstico aproximado de 75 mil novos casos, sendo a maior incidência nas regiões Sul e Sudeste do País.
No mês de outubro, como em todo mundo, aqui também se celebra o que denominamos de “Outubro Rosa”, chamando a atenção para a importância da conscientização para o câncer mamário, no que diz respeito à sua prevenção e diagnóstico precoce, seja pelo autoexame da mama, como também pela utilização da mamografia, da ultrassonografia ou da ressonância magnética. Assim sendo, através de uma simples biópsia do tumor (“core biopsy”), o que nos leva à confirmação do diagnóstico de um câncer, estaremos aptos a programar seu adequado tratamento: cirurgia, seja ela radical ou conservadora, associada ou não à mamoplastia; a quimioterapia, que pode ser neoadjuvante (pré-operatória) ou adjuvante (pós-operatória),
com excelentes resultados; a imunoterapia, associada ou não à quimioterapia; a radioterapia, em geral usada após uma cirurgia conservadora, dando uma maior segurança no tratamento local; a hormonioterapia, com o uso de substâncias hormonais por via oral, sendo em alguns casos, o único tratamento necessário utilizado (principalmente em idosas ); a mamoplastia reconstrutora, com as mais diversas técnicas, sendo nosso País, um dos mais avançados nesta experiência de tratamento; a crioablação, tratamento ainda em estudo que poderá mudar futuramente a abordagem cirúrgica sobre a mama.
O câncer de mama, nos dias de hoje, sendo diagnosticado precocemente e adequadamente tratado, é muito bem controlado e consegue-se obter a cura em mais de 90% dos casos. A conscientização e a educação sobre a importância do rastreamento e do seguimento adequados, são essenciais para a total recuperação e sobrevivência. Iniciativas de apoio psicológico e de grupos de suporte, podem auxiliar as pacientes a enfrentar os desafios físicos e emocionais, melhorando sua autoestima e a qualidade de vida. Portanto, a mulher deve ficar sempre atenta ao seu autoexame das mamas, realizar anualmente sua mamografia e procurar logo o seu médico, para esclarecer o caso e dar continuidade ao tratamento o mais breve possível. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior será a probabilidade de uma cura completa e voltar à vida normal, com muita coragem e mais experiência.
Luiz Antonio Guimarães Brondi é mastologista, membro da Academia Brasileira de Mastologia e titular do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da PUC-Sorocaba.