Marcelo Augusto Paiva Pereira
A requalificação do matadouro
De longa data se encontra em precário estado de conservação o edifício do antigo matadouro deste município. As tratativas entre a Prefeitura e outras instituições públicas e privadas têm sido infrutíferas, seja pela falta de verbas públicas ou pela falta de projetos. Seguem alguns comentários pertinentes.
Construído em 1928 no estilo inglês serviu à comunidade até 1975, quando foi desativado pelo Ministério da Agricultura por desatender aos padrões de higiene. Desde então atendeu a órgãos municipais, dentre os quais a Guarda Civil Municipal, a Secretaria de Serviços Públicos e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto.
O edifício e a área envoltória, entretanto, foram tombados pelo Decreto Municipal nº 10.033, de 28/11/1996, do prefeito Paulo Mendes. No aludido diploma legal consta o grau de preservação 2, que define a preservação parcial, limitada ao exterior do edifício e inclui áreas livres, ajardinamento, cobertura, fachadas, volumetria e, se houver, elementos ornamentais ou utilitários.
A área a ser preservada ocupa 25 mil metros quadrados e atualmente se encontra ao abandono, sob as intempéries da natureza e da degradação decorrente. Ainda que haja a limpeza periódica do terreno, com a remoção do matagal, a proximidade do rio Sorocaba contribui para o desinteresse na requalificação (restauração ou retrofit) do edifício.
Qualquer obra, seja de restauração ou de retrofit, somente será eficaz se a área envoltória for beneficiada por um projeto que resgate a flora e a fauna nativas, para reavivar o meio ambiente natural e artificial (o edifício do matadouro).
Um projeto de requalificação do edifício deverá incluir a área envoltória e (re)plantar espécies vegetais nativas, que produzam flores e frutos, para recuperar a flora e a fauna local, inclusive para combater a incidência de pernilongos e outros insetos nocivos e indesejados.
Em relação às áreas livres e ao ajardinamento, poderão ser desenhadas como melhor aprouver à finalidade do espaço a ser requalificado. Nesta hipótese, será salutar e benéfico resgatar o meio ambiente natural para reavivá-lo e combater os insetos (em geral) e os pernilongos (em especial).
Quanto ao edifício, deverá ser externamente restaurado de acordo com o teor do decreto e o uso do espaço interno atualizado conforme o projeto a ser desenhado para esta finalidade. Uma combinação entre o antigo e o moderno, sem prejuízo da memória da cidade, ao mesmo tempo em que beneficie o novo uso do edifício no espaço urbano.
Conclusivamente, a requalificação do edifício do antigo matadouro somente será proveitosa se incluir a área envoltória, com o plantio de vegetação nativa, que traga de volta a flora e a fauna locais e combata os indesejados insetos que afastam as pessoas e as instituições desse local. Nada a mais.
Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.