João Alvarenga
Em defesa da leitura (parte 2)
Neste artigo, darei sequência ao tema de domingo passado, em que abordei o descaso que a sociedade brasileira tem para com a leitura. Anteriormente, apresentei as possíveis causas desse comportamento que, lamentavelmente, atinge, em cheio, os estudantes, pois trocaram o livro pelos games. A situação é tão crítica, que tramita, pela Câmara Federal, um Projeto de Lei que visa combater esse desinteresse. Mas, só isso não basta, é preciso um esforço conjunto de todos, para que essa prática seja recuperada. Pois, ao parafrasear o escritor Monteiro Lobato, “um País se faz com pessoas e livros”, fica nítida a ideia de que a construção de uma nação rica (intectualmente) tem, por base, dois importantes componentes: o povo e a busca incessante pelo conhecimento. Aliás, sem conhecimento, diziam os antigos, não se vai a lugar nenhum.
Assim, tratarei, aqui, de algumas estratégias para minimizar essa problemática. Dica número 1: tudo começa na casa! As crianças copiam os pais em tudo. Se o filho percebe que o pai dedica um pouquinho de seu tempo à leitura, poderá adotar esse hábito. Afinal, o exemplo vem da família; pois é a família que educa. E a escola? A escola forma o cidadão. O psicopedagogo, Léo Fraiman afirma que a primeira infância é o alicerce do caráter de uma criança. Por isso, é interessante que as famílias resgatem uma prática que, atualmente, foi relegada, em decorrência da correria diária. Antes, os pais liam para seus filhos. E hoje? Hoje, infelizmente, o celular se tornou o “amiguinho” da criançada. Outrora, muitas casas dispunham de uma bibliotequinha. Agora, devido ao tamanho de muitos “apertamentos”, isso se torna inviável.
Dica número 2: passeios culturais. Já que as casas não têm mais espaço para os livros, leve seus filhos à Biblioteca Municipal ou ao Gabinete de Leitura Sorocabano. Nesses espaços, há um rico acervo. Isso aproxima os pequenos de variadas obras. É preciso conhecer para respeitar! Também devemos transmitir aos jovens o pensamento de Voltaire: “A leitura engrandece a alma”. Aliás, há inúmeros pensadores que levantaram bandeira em defesa de tal prática. Dizia Aristóteles: “A leitura é o caminho mais curto para o conhecimento”. Até Bill Gates é defensor da causa: “Meus filhos terão computadores, sim! Mas, antes terão livros. Sem livros, sem leitura, nossos filhos serão incapazes de escrever inclusive a própria história”. Já Mário Quintana dispara: “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem”. “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”, declarou, certa vez, o poeta argentino Jorge Luís Borges.
Mas, como a escola pode contribuir para resgatar o amor aos livros? Há várias atividades lúdicas que ajudam nessa tarefa. Dica número 3: criar um Projeto de Leitura permanente, que envolva todos os professores, independente da matéria que leciona. Certa vez, o educador Rubem Alves sugeriu que as aulas deveriam começar com a leitura de um poema, para tornar o conteúdo mais leve, principalmente nas aulas de exatas. Dica número 4: Rodas de Leitura, com trocas de experiências entre os estudantes que teriam um espaço para expor sua opinião sobre o livro, além de esclarecer dúvidas com o professor. Dica número 5: Sarau de Poesia, com leitura de textos produzidos pelos alunos.
Dica número 6: tornar a leitura prazerosa! Não é saudável fazer provas de livros. Porque a leitura se torna uma obrigação. Mas, como saber se o livro foi lido? Promova um debate com o grupo e avalie a participação da classe. Vale mais o despertar do gosto pela leitura do que nota em si. Outras dicas: ler algumas páginas para a turma e, depois, acompanhar o progresso do grupo. Também incluir HQs na lista, pois são divertidos. Levar os alunos a um sebo. Por último: recomendar que nunca saiam de casa sem um livro, como se fosse um amigo. Quiçá, isso seja começo de uma longa amizade. Bom domingo!
João Alvarenga é professor de redação.